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Goiânia, 04/04/25
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Segundo a Polícia Civil, Renato (à esquerda) contratou suspeito para matar Wellington (à direita) para não pagar R$ 8 milhões em comissão a ele

Fazendeiro de Goiás é suspeito de matar amigo corretor para não pagar comissão

02/07/2022, às 08:01 · Por Redação

Um fazendeiro goiano de 55 anos foi preso por suspeita de mandar matar um amigo corretor de imóveis, para evitar pagar R$ 8 milhões em comissão após a venda de uma propriedade no valor de R$ 300 milhões. A defesa dele nega a acusação. Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado na cidade de Rio Verde.

Quatro pessoas foram presas por suspeita de envolvimento na morte de Wellington Freitas: Renato Souza, dono da propriedade, apontado como o possível mandante do crime; Rogério Oliveira, suspeito de executar o assassinato, e Rogério Teles e Caio Rodrigues, que teriam intermediado a ação.

De acordo com o delegado titular de Rio Verde, Adelson Candeo, a polícia foi procurada pela família da vítima, no dia 20 de junho, após o corretor ter desaparecido na região. Após diligências, o carro da vítima foi encontrado às margens da GO-333, perto do limite municipal entre Rio Verde e Jataí, próximo a uma propriedade que fora comprada recentemente por Wellington. Pouco depois, o corpo do corretor foi encontrado pelo filho.

"O filho estava passando por onde o rastreador do carro da vítima indicou que ele tinha passado. O corpo foi encontrado carbonizado em um desses locais", explicou o delegado.

As diligências, feitas ao longo da última semana, mostraram que um veículo acompanhou a caminhonete de Wellington até o local onde ela foi desovada e, no dia seguinte, a polícia chegou até o nome de um suspeito da execução, identificado como Rogério Oliveira.

"A princípio, ele disse que tinha feito o crime sozinho e por motivação própria, mas, como as diligências foram avançando, o indivíduo acabou confessando e dando todos os detalhes, dando o nome de todos os envolvidos, explicando a motivação do caso e detalhes da forma de execução", contou o delegado.

O suspeito informou que o fazendeiro Renato Souza teria oferecido R$ 150 mil para que ele comprasse um celular e um chip novos, marcasse um encontro com Wellington para ver propriedades rurais na região e o assassinasse.

Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento do encontro entre o executor e o corretor. O criminoso recebeu um adiantamento de R$ 69,5 mil pela ação. Primeiro, ele enforcou a vítima com uma corda e abandonou o corpo em um matagal.

"Após matar, ele ligou para um rapaz e pediu que ele ajudasse a descartar a caminhonete. Em seguida, após descartar a caminhonete da vítima, ele seguiu para um hotel da cidade. Neste momento, um intermediário entrou em contato com o executor dizendo que ele deveria retornar no local porque não tinha terminado o serviço", afirmou o delegado.

O rapaz em questão era Caio Rodrigues, que também foi preso. O intermediário que ligou para "terminar o serviço" foi identificado pela polícia como Rogério Teles.

Segundo Adelson, o executor teria sido ameaçado por esse intermediário e, com medo, comprou gasolina, voltou ao local do crime e incendiou o corretor. Ao ir embora da cena do crime, o suspeito informou que cruzou com o filho da vítima, que já estava em busca do pai desaparecido. De acordo com a perícia, a vítima ainda estava viva quando teve fogo ateado no corpo.

Os dois eram amigos de longa data e têm uma série de fotografias juntos. Renato foi preso em uma das propriedades dele, dias após o crime. Ele foi detido em flagrante por portar ilegalmente uma pistola, mas também vai responder legalmente pelo homicídio. Segundo o policial, o corretor de imóveis que morreu era conhecido e querido na cidade de Rio Verde.

A advogada do fazendeiro, Mirelle Gonzales Maciel, declarou que o cliente é inocente e que, assim que tiver acesso à íntegra da investigação poderá dar mais esclarecimentos.


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