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Soldado e outros seis policiais são acusados de matar quatro pessoas em Cavalcante por plantarem maconha
Soldado preso suspeito de chacina em Cavalcante é liberado pela Justiça para fazer prova de cadete da PM
15/07/2022, às 09:08 · Por Redação
A Justiça autorizou a liberação do soldado da Polícia Militar, Ítallo Vinícius
Rodrigues de Almeida, para participar do concurso de cadetes da Polícia Militar
de Goiás. Ele e outros seis policiais foram presos pela morte de quatro
pessoas em uma chácara de Cavalcante, no nordeste de Goiás. A informação é do
G1.
A decisão foi assinada pelo juiz Rodrigo Victor Foureaux Soares na quarta-feira, 13. Segundo o documento, para realização da prova, "o soldado deverá ser escoltado, na ida e na volta, com as devidas certificações dos horários", pela equipe do presídio onde ele se encontra desde fevereiro.
Como justificativa, o juiz apontou que como o "futuro desse processo é
incerto", podendo Ítallo ser condenado ou absolvido, caso ele seja
impedido de participar do concurso e futuramente absolvido, "haverá sérios
prejuízos para o réu".
"Afigura-se desproporcional e desarrazoável impedir a
participação do acusado, principalmente considerando a autorização pela própria
Administração Militar, a quem cabe, inicialmente, avaliar se o militar poderá
ou não participar do certame", disse o magistrado.
Ele ainda pontuou que vedar a participação do soldado do
concurso se configuraria na "antecipação de uma pena que sequer pode vir a
ser aplicada".
Rodrigo ainda cita que, apesar da lei estadual 8.000 dispor que não se pode constar no "quadro de acessos o militar que estiver preso em flagrante ou preventivamente por crime por crime que ofenda a honra e o pundonor policial-militar, enquanto perdurar a prisão", que ela não proíbe a participação na prova.
Prisão e denúncia dos militares
Os sete policiais militares foram presos preventivamente em
fevereiro deste ano, por determinação da Justiça de Goiás, devido a morte de
quatro homens em uma chácara de Cavalcante. Em março, eles foram denunciados
pelo Ministério Público por homicídio com emprego de recurso que
dificultou a defesa das vítimas.
Na época do crime, a Polícia Militar informou que as vítimas
eram suspeitas de tráfico de drogas. Já a Polícia Civil apontou que os quatro
não tinham passagens criminais.
Foram presos após uma decisão da Justiça os policiais:
sargento Aguimar Prado de Morais;
sargento Mivaldo José Toledo;
cabo Jean Roberto Carneiro dos Santos;
soldado Welborney Kristiano Lopes dos Santos;
cabo Luís César Mascarenhas Rodrigues;
soldado Eustáquio Henrique do Nascimento;
e soldado Ítallo Vinícius Rodrigues de Almeida.
Conforme a denúncia, um laudo apontou que uma das vítimas
foi atingida quando já estava caída ao chão. O órgão apurou que os PMs ainda
queimaram a vegetação do local para destruir a prova de que lá não havia uma
plantação de maconha do tamanho que eles tinham informado.
Já no dia 4 de março a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou os
policiais militares pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.
Segundo a PC, os PMs foram presos no dia 25 de fevereiro.
O crime aconteceu no dia 20 de janeiro deste ano. Na data, a
PM informou à Polícia Civil uma equipe foi a uma propriedade rural, em local
ermo e de difícil acesso, após receber uma denúncia de que ali haveria uma
grande plantação de maconha. No registro, os PMs relataram que, chegando ao
local, foram recebidos a tiros por um grupo e, por isso, tiveram que revidar
com quase 60 tiros.
Ainda de acordo com o depoimento dos policiais militares,
além dos quatro que foram baleados e morreram, haveriam outras três pessoas,
que conseguiram fugir.
A população de Cavalcante ficou revoltada com o episódio e
defende que os quatro rapazes que foram mortos não tinham armas e não podem ter
atirado contra os PMs. Durante o enterro de dois deles, houve uma manifestação
pedindo por justiça.
Cavalcante