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Foto: MPF/GO
A goiana Raquel Dodge, procuradora-geral, mudou de opinião na reunião de ontem e, após o voto do vice-procurador-geral da República, ela mudou de posicionamento e também foi contra a indicação de Ailton Benedito
Indicação do goiano Ailton Benedito para Comissão de Desaparecidos é vetada pelo Conselho Superior do MP
07/08/2019, às 00:39 · Por Eduardo Horacio
Foi vetada, nesta terça-feira, 6 de agosto, a indicação do
procurador da República Ailton Benedito, do Ministério Público Federal de
Goiás, para a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. O veto
foi feito pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), por
seis votos a quatro. O colegiado entendeu que não cabe ao governo Jair
Bolsonaro fazer a indicação e que o cargo não está vago. O procurador Ivan Marx
ainda está ocupando o cargo.
O convite a Ailton partiu de Sérgio Augusto de Queiroz,
Secretário Nacional de Proteção Global, que é subordinado à ministra Damares
Alves, da pasta de Direitos Humanos e da Mulher. O voto do subprocurador
Nicolao Dino foi no sentido de rejeitar o parecer favorável de Maria Caetana
Cintra. A maioria do Conselho o seguiu.
A goiana Raquel Dodge, procuradora-geral, foi de um lado a outro. Após o voto do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, ela mudou de posicionamento e também foi contra a indicação de Ailton Benedito. Em junho, quando começou a discussão, ela se manifestou favorável ao nome de Benedito.
Perfil
Segundo o voto de Mariz Maia, Benedito não tem perfil para
representar o Ministério Público Federal em um órgão que tem por objetivo
reparar as vítimas da ditadura. Ele “tem o costume de defender o regime militar
em suas redes sociais” e dizer que o “nazismo é de esquerda”. Além disso, para
Mariz, o MPF deve contemplar alguém que defenda essa premissa. É preciso alguém
que use “a linguagem da memória e da verdade para ter reparação”, disse ele.
“Desaparecidos e mortos não são fatos daquele período duro
da ditadura apenas. Mortos e desaparecidos doem ainda hoje. Continuam mortos e
continuam desaparecidos. E a dor dói em toda a família. Quem é parente ou
ligado a mortos e desaparecidos sente, ainda, que é seu dever lutar para que
eles possam ter justiça e reparação. A dor dói duramente e ainda agora. É dever
de quem sobrevive a um morto e desaparecido fazer sua missão de vida saber o
que foi feito pelo restado brasileiro com esse que morreu e desapareceu.
Portanto, são mortos insepultos na memória, e isso o Brasil precisa resgatar
duramente”, disse Mariz.
Eugênia Augusta Gonzaga, procuradora destituída por
Bolsonaro da presidência da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos
Políticos, acompanhou a sessão. Três dos sete integrantes do colegiado foram
destituídos na mesma ocasião.
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