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Foto: Wesley CostaÀs vésperas das convenções partidárias, aproximadamente 14 legendas projetam estar no palanque do atual governador, incluindo o MDB de Daniel Vilela
Baixa rejeição mostra que governo Caiado chega na eleição mais forte do que a oposição previa
18/07/2022, às 22:10 · Por Eduardo Horacio
Nas ruas entre os dias 10 e 14 de julho, o Serpes apontou que
Ronaldo Caiado (UB) tem 37,6% das intenções de voto na simulação estimulada.
Somados, todos os seus sete adversários, eles têm só 1,2 pontos a mais. Em
votos válidos, o governador crava 49,3% das intenções. Com mais de 50% a fatura
é encerrada em 2 de outubro, sem necessidade de segundo turno.
Esses números, divulgados pelo jornal O Popular na última
sexta-feira, 15, foram recebidos com otimismo pelos aliados do governador. Em
um momento em que o País enfrenta dificuldades econômicas e sociais agravadas
pela pandemia, em Goiás, um governador candidato à reeleição demonstra
resiliência e força.
No atual cenário, faltando quatro meses para as eleições de
outubro, Caiado chegar competitivo na disputa pela reeleição já seria
surpreendente. No entanto, o governador está com baixa rejeição (menos de 14%
de ruim/péssimo, algo raro em governadores pelo país) e tem até gordura para
queimar na busca pela reeleição. Se os adversários não se mexerem e criarem
algum fato político novo, a eleição tende a ser resolvida já no 1º turno.
Se Caiado passa praticamente ileso pelas maiores
dificuldades nos últimos anos, há exemplos no passado e constatações do atual
cenário que aumentam as possibilidades de Caiado renovar seu mandato. Aos
poucos, Caiado arregimenta uma base de apoio gigantesca. Essa máquina eleitoral
formada por prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, parlamentares e tantas outras
lideranças partidárias estará nas ruas a partir de agosto para pedir votos para
o candidato do União Brasil.
Às vésperas das convenções partidárias, aproximadamente 14
legendas projetam estar no palanque do atual governador. Assim, Caiado terá
disparado o maior tempo de exposição nos programas de rádio e televisão e o
maior número de candidatos a deputado estadual e federal ao seu lado. Mais que
isso, terá aliados importantes em todos os 246 municípios de Goiás fomentando o
seu projeto de reeleição.
Passado
Desde de que o instituto da reeleição foi adicionado ao sistema eleitoral
brasileiro, a maior parte dos candidatos que concorrem no exercício de seus
mandatos consegue renovar seus mandatos. Em Goiás, apenas o ex-governador José
Éliton (na época, no PSDB), em 2018, saiu derrotado. Sucumbiu diante da
obrigação de defender os desgastes de 20 anos de governos tucanos.
Antes, porém, os então governadores Marconi Perillo (PSDB) e Alcides Rodrigues (na época, no PP) conquistaram a reeleição, mesmo enfrentando uma oposição mais consistente que a atual.
Em 2002, o tucano venceu o então senador Maguito Vilela
(MDB) no 1º turno. Quatro anos depois, Alcides largou muito atrás nas pesquisas
e também superou Maguito, no 2º turno (mas quase vencendo no primeiro turno).
Por fim, em 2014, Marconi superou Iris Rezende (MDB) em dois turnos. Em todas
essas campanhas, a força da máquina governista foi determinante para o desfecho
da eleição.
Cenário inédito
Pela primeira vez desde 1982, a disputa que se avizinha não tem o MDB como
um dos protagonistas. A legenda aliou-se a Caiado no ano passado e, portanto,
reforça o palanque governista. Assim, cabe ao ex-emedebista Gustavo Mendanha,
filiado ao Patriota, tentar liderar um bloco oposicionista, porém com estrutura
de campanha tímida.
Além dele, Marconi tentará convencer o eleitor a lhe dar um
quinto mandato de governador. O Serpes e todas as outras pesquisas já
divulgadas informam que não será simples. O tucano conseguiu se livrar de
inúmeros processos e manter sua elegibilidade, mas ainda não foi esquecido pelo
eleitor.
Neste cenário, Caiado vai às urnas sustentando um governo
que reorganizou as finanças do Estado, apostou na regionalização da saúde,
investiu na educação e criou um leque de programas sociais para a população
mais vulnerável, aumentada no período de pandemia.
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