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As pesquisas de intenção de voto divulgadas também ajudam a travar a ambição vislumbrada por Marconi
Análise: Isolamento, pesquisas e PSDB nacional podem empurrar Marconi para deputado federal
26/07/2022, às 23:02 · Por Eduardo Horacio
Após ensaiar um retorno triunfal ao cenário político em
Goiás, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) pisa no freio e reavalia o
momento eleitoral a menos de 10 dias do fim do período de convenções para as
eleições de outubro. O tucano chegou a ser lançado pré-candidato a governador
no último dia 16, mas agora ensaia um voo mais baixo e modesto, para a Câmara dos
Deputados.
Se for candidato a uma das 17 cadeiras de Goiás na Câmara
dos Deputados, a decisão de Marconi será a opção mais pragmática e segura –
garantindo, assim, mandato e foro privilegiado. Sem contar que o ex-governador
não teria dificuldades em se eleger com boa votação, talvez suficiente até mesmo
para fortalecer a bancada de parlamentares do PSDB no Estado, a maior ambição
do partido nacionalmente.
Ao tentar viabilizar a quinta candidatura ao governo,
Marconi esbarra em uma realidade difícil, mas comum aos políticos que militam
na oposição. Cabe a ele enfrentar as adversidades ou se render a elas. Fato concreto é que, após meses de conversas e articulações, o ex-governador não
conseguiu um único apoio substancial, pelo menos até aqui. Marconi pelejou para
ser visto e ouvido por Gustavo Mendanha, mas de nada adiantou. Nenhuma legenda
e nem mesmo antigos aliados fiéis demonstram interesse em segui-lo no atual
projeto.
As pesquisas de intenção de voto divulgadas também ajudam a
travar a ambição vislumbrada por Marconi. Em terceiro lugar na disputa pelo
governo – com 15% das intenções de voto no Serpes –, o ex-governador caminharia
para ser mero coadjuvante, distante do protagonismo de antes. Sua rejeição é a
mais alta no Estado (30% no Serpes) e dramática em Goiânia (50% no Serpes). O
papel eleitoral desenhado para o tucano, até o momento, é o de coadjuvante que
ajudaria a arrastar a eleição para o segundo turno. Candidato à reeleição, o
governador Ronaldo Caiado (União Brasil) é o favorito.
A alternativa mais trabalhada por Marconi e seus aliados
para bancar a candidatura majoritária foi uma aproximação com o PT. O tucano
teria apoio ao seu projeto e, em troca, abriria palanque para o ex-presidente
Lula em Goiás.
O PT ainda não viu sinal nenhum de reciprocidade para
embarcar na aventura. Partidos historicamente antagônicos, a aliança encontra
resistência dos dois lados no Estado. A ideia também sofre resistência da
cúpula nacional do PSDB, que pretende indicar o senador Tasso Jereissati (CE)
candidato a vice-presidente na chapa da senadora Simone Tebet (MS).
Diante das dificuldades, Marconi passou a analisar nos
últimos dias uma candidatura à Câmara dos Deputados. O projeto é incentivado
pelos caciques do PSDB. A eleição de Marconi reforça a bancada de deputados
federais, hoje fundamental para elevação do fundo partidário e, consequentemente,
para a própria sobrevivência da legenda.
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