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Goiânia, 04/04/25
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Henrique foi abordado na Avenida Itália, no Jardim Europa, por uma equipe do grupo Tático do 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPM)

Caso Henrique: PMs teriam apagado gravação original que mostra abordagem

19/08/2022, às 13:18 · Por Redação

Os registros ação policial resultou na morte do servente Henrique Alves Nogueira, 28 anos, foram apagadas e o equipamento danificado por dois homens que se identificaram como da própria PM.

Segundo o jornal O Popular, eles foram ao local onde estava armazenada a filmagem 15 minutos após a esposa de Henrique sair de lá, conforme depoimento prestado por uma testemunha sigilosa no processo que tramita na Justiça pela morte do servente na quinta-feira, 11.

Na versão oficial, os quatro militares afirmam que ele estava na garupa de uma moto no Setor Real Conquista e que reagiu à abordagem atirando contra os agentes após cair do veículo em fuga. Porém, na manhã seguinte, a esposa de Henrique, ainda sem saber de sua morte, encontrou as imagens.

Henrique foi abordado por volta de 8h25 na Avenida Itália, no Jardim Europa, por uma equipe do grupo Tático do 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPM) formada pelo sargento Cleber Leandro Cardoso, de 37 anos, o cabo Guidion Ananias Galdino Bonfim, de 31, e o soldado Kilber Pedro Morais Martins, de 34. Já o suposto confronto alegado na versão oficial dos PMS contou com a inclusão do soldado Mayk da Silva Moura Sousa, de 29, que entrou na equipe às 18 horas.

Assim que a mulher de Henrique deixou o local onde viu o vídeo, na manhã do dia 12, a testemunha sigilosa conta que gravou uma cópia da filmagem e logo em seguida apareceram os homens se dizendo policiais. Eles ficaram no local entre meio-dia e 14 horas e depois que saíram esta testemunha percebeu que o equipamento não gravava mais as imagens captadas pela câmera. Um técnico foi chamado e disse que o aparelho foi danificado e as imagens anteriores apagadas. A cópia foi entregue à Polícia Civil.

Ainda segundo esta pessoa, no dia anterior, entre o momento da abordagem e em que o corpo foi encontrado, dois homens também se dizendo policiais, foram ao local observar as imagens, mas não danificaram o aparelho nem mexeram no vídeo. No depoimento, consta a informação que nenhum dos homens que visitaram o local foram reconhecidos com um dos quatro envolvidos na morte de Henrique.

Esta testemunha, cuja identidade não foi revelada no processo por questão de segurança, também disse que vizinhos do lugar onde Henrique foi abordado contaram terem visto ele gritando para que populares em volta impedissem os policiais de colocá-lo dentro da viatura. O servente havia deixado o carro em uma oficina próxima e foi parado pela equipe do tático alguns metros depois.


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