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Henrique foi abordado na Avenida Itália, no Jardim Europa, por uma equipe do grupo Tático do 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPM)
Caso Henrique: PMs teriam apagado gravação original que mostra abordagem
19/08/2022, às 13:18 · Por Redação
Os registros ação policial resultou na morte do servente
Henrique Alves Nogueira, 28 anos, foram apagadas e o equipamento danificado por
dois homens que se identificaram como da própria PM.
Segundo o jornal O Popular, eles foram ao local onde estava armazenada a filmagem 15 minutos após a esposa de Henrique sair de lá, conforme depoimento prestado por uma testemunha sigilosa no processo que tramita na Justiça pela morte do servente na quinta-feira, 11.
Na versão oficial, os quatro militares afirmam que ele
estava na garupa de uma moto no Setor Real Conquista e que reagiu à abordagem
atirando contra os agentes após cair do veículo em fuga. Porém, na manhã
seguinte, a esposa de Henrique, ainda sem saber de sua morte, encontrou as
imagens.
Henrique foi abordado por volta de 8h25 na Avenida Itália,
no Jardim Europa, por uma equipe do grupo Tático do 7º Batalhão da Polícia
Militar (7º BPM) formada pelo sargento Cleber Leandro Cardoso, de 37 anos, o
cabo Guidion Ananias Galdino Bonfim, de 31, e o soldado Kilber Pedro Morais
Martins, de 34. Já o suposto confronto alegado na versão oficial dos PMS contou
com a inclusão do soldado Mayk da Silva Moura Sousa, de 29, que entrou na
equipe às 18 horas.
Assim que a mulher de Henrique deixou o local onde viu o
vídeo, na manhã do dia 12, a testemunha sigilosa conta que gravou uma cópia da
filmagem e logo em seguida apareceram os homens se dizendo policiais. Eles
ficaram no local entre meio-dia e 14 horas e depois que saíram esta testemunha
percebeu que o equipamento não gravava mais as imagens captadas pela câmera. Um
técnico foi chamado e disse que o aparelho foi danificado e as imagens
anteriores apagadas. A cópia foi entregue à Polícia Civil.
Ainda segundo esta pessoa, no dia anterior, entre o momento da abordagem e em
que o corpo foi encontrado, dois homens também se dizendo policiais, foram ao
local observar as imagens, mas não danificaram o aparelho nem mexeram no vídeo.
No depoimento, consta a informação que nenhum dos homens que visitaram o local
foram reconhecidos com um dos quatro envolvidos na morte de Henrique.
Esta testemunha, cuja identidade não foi revelada no
processo por questão de segurança, também disse que vizinhos do lugar onde
Henrique foi abordado contaram terem visto ele gritando para que populares em
volta impedissem os policiais de colocá-lo dentro da viatura. O servente havia
deixado o carro em uma oficina próxima e foi parado pela equipe do tático
alguns metros depois.
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