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Chris morreu seis dias após ter sido agredido por dois policiais militares enquanto ia com um amigo a pé de casa até uma distribuidora de bebidas
Policiais Militares acusados de matar jovem com câncer irão responder por lesão corporal
23/08/2022, às 12:06 · Por Redação
Dois policiais militares envolvidos na morte de Chris Wallace da Silva, aos 24 anos, durante uma abordagem no dia 10 de novembro de 2021 no Residencial Fidelis, em Goiânia, deixam de responder pelo crime de homicídio doloso e irão responder por lesão corporal seguida de morte.
Isso porque o juiz Eduardo Pio Mascarenhas da Silva, da 1ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos contra a Vida e Tribunal de Júri, desclassificou o processo e com isso, o caso sai da Justiça comum e vai para a Militar. Em sua decisão, o magistrado não entra no mérito de os soldados Bruno Rafael Silva e Wilson Luiz Pereira de Brito Júnior, ambos de 30 anos e lotados no 42º Batalhão da PM de Goiânia, agrediram ou não a vítima, mas julgou que na hipótese de terem sido eles não foi com intenção de matar.
Chris morreu seis dias após ter sido agredido por dois policiais militares enquanto ia com um amigo a pé de casa até uma distribuidora de bebidas. De acordo com a denúncia, ele chegou a informar os PMS que tinha câncer e mesmo assim levou socos e teve a cabeça prensada contra um muro. Além disso, as investigações apontaram que os acusados estiveram na casa da família de Chris para intimidar a irmã dele. A vítima sofria desde os 14 anos com um mieloma múltiplo, tipo de câncer caracterizado principalmente por fraturas ósseas agravadas diante de esforços físicos.
Desde a infância ele conviveu com dores e crises que o impediram de concluir o ensino, de trabalhar e até de ter muitas atividades cotidianas. Em depoimento, a mãe da vítima contou que ele já chegou a fraturar a costela após um abraço, devido sua fragilidade. Laudo de exame cadavérico aponta que Chris morreu por causa de um traumatismo cranioencefálico causado por ação contundente, o que condiz com o relato de testemunhas que viram o jovem ter a cabeça prensada com força em um muro pelos policiais.
A vítima também apresentava ferimentos pelo corpo, principalmente na mão, no quadril e no peito. Os policiais chegaram a ficar presos entre o final de dezembro e meados de maio deste ano, mas desde então respondem ao processo em liberdade.
PM Câncer Chris Wallace