Matérias
Divulgação
A italiana Enel comprou a Celg Distribuição (Celg-D) em 2016 por R$ 2,2 bilhões, cabendo a Goiás cerca de R$ 1,1 bilhão ou R$ 800 milhões líquidos
‘Queremos energia de qualidade’, diz governador sobre a venda da Enel Goiás
23/09/2022, às 21:56 · Por Eduardo Horacio
Em visita a Anápolis, nesta sexta-feira, 23, o governador
Ronaldo Caiado falou com otimismo sobre a venda da Enel Goiás e declarou que
vai exigir participação do Governo de Goiás na transição para a Equatorial
S.A., holding brasileira que vai assumir a distribuição de energia elétrica no
Estado. Ronaldo Caiado espera receber nos próximos dias a diretoria da
Equatorial para que seja feita uma explanação da companhia sobre os projetos e
investimentos previstos para o setor elétrico em Goiás.
“Não vamos baixar a guarda hora alguma. Vou pedir que
cumpram o compromisso e que levem energia elétrica para o desenvolvimento do
Estado de Goiás”, declarou Caiado.
Questionado sobre a negociação entre Enel Goiás e
Equatorial, o governador esclareceu que é uma operação entre duas empresas
privadas e que o Estado não tem poder para interferir nos termos da venda.
Ainda assim, como chefe do Executivo Estadual, Caiado considera importante que
a administração estadual participe da transição a fim de assegurar que não haja
problemas na prestação do serviço para a população e setor produtivo goiano.
“É importante que o goiano saiba que o Governo de Goiás não tem mais controle sobre a empresa que distribui energia elétrica em Goiás. Infelizmente, com a venda da Celg, que não pertence mais à administração estadual, essa atribuição passou para a Aneel. Mas nem por isto cruzamos os braços diante dos problemas”, destacou Caiado. “Há cinco anos fizeram essa privatização criminosa (a venda da Celg-D) e impuseram aos goianos todos esses prejuízos”, acrescentou.
Ainda como senador, Ronaldo Caiado apontava os prejuízos da
venda da Celg-D para a Enel. Quando assumiu a gestão estadual, passou a
acompanhar a prestação do serviço da empresa e fez pressão política para que a
Enel cumprisse as metas acordadas com a Aneel.
O governador também liderou movimento com a bancada goiana
no Congresso Nacional e conseguiu barrar uma emenda ‘jabuti’ que prorrogaria o
prazo para que as metas fossem alcançadas pela Enel. Após descumprir as metas
de qualidade por dois anos consecutivos, a italiana acelerou o movimento de
venda da operação em Goiás, já que seria aberto o processo de caducidade do
contrato.
“Hoje a energia é o maior gargalo para que Goiás possa ter a
implementação de novas indústrias e geração de emprego”, frisou Caiado. “Nós
queremos a oferta de uma energia que garanta ao consumidor condições de
expandir os seus negócios e, ao mesmo tempo, de ter uma energia de qualidade”,
assinalou o governador.
Venda
A italiana Enel comprou a Celg Distribuição (Celg-D) em 2016 por R$ 2,2
bilhões, cabendo a Goiás cerca de R$ 1,1 bilhão ou R$ 800 milhões líquidos,
porém deixando um passivo de R$ 12 bilhões ao Tesouro Estadual. Com
dificuldades em cumprir as metas estabelecidas pela agência reguladora e
considerada uma das três piores concessionárias do país, a empresa agora deixa
o mercado goiano.
A holding nacional Equatorial (EQTL3) anunciou a aquisição
do controle total da Celg-D por um valor total de R$ 7,5 bilhões – sendo R$ 5,7
bilhões em dívidas assumidas e aproximadamente R$ 1,6 bilhão em pagamento. A
empresa já opera em Alagoas, Maranhão, Pará, Piauí, Amapá e Rio Grande do Sul.
Celg Enel Venda Equatorial