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Investigações sobre o acidente que matou a artista chegam à sua fase final; relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, já foi concluído

Investigação sobre acidente de avião que matou Marília Mendonça chega à fase final

06/11/2022, às 13:05 · Por Redação

Um ano após a morte da cantora Marília Mendonça, as investigações sobre o acidente que matou a artista chegam à sua fase final. Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, a coleta de dados e as pesquisas sobre o acidente já foram concluídas, e o que resta é a produção do relatório sobre o caso. Nesta sexta-feira, 4, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou aguardar o documento para concluir a sua investigação.

A última etapa da investigação da Cenipa, conforme a Agência Globo, envolve a discussão e a redação de um documento com novas recomendações de segurança. Segundo o órgão, seu objetivo não é atribuir responsabilidade ou culpa, mas ajudar a evitar que novos acidentes se repitam. Não há prazo oficial para sua conclusão. Há um ano, a aeronave que levava Marília Mendonça e outras quatro pessoas para o aeroporto de Caratinga caiu após colidir com um cabo da Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig). Todos dentro do bimotor morreram.

Em coletiva na última sexta-feira, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que o acidente aconteceu após o piloto da aeronave Geraldo Medeiros não ter seguido o padrão de pouso do aeródromo. “O que a gente sabe mediante depoimentos feitos é que o piloto não fez a manobra que se esperava, ele saiu da zona de proteção do aeródromo”, afirmou o delegado Ivan Lopes, que disse ter falado com pilotos que aterrissaram no aeroporto no mesmo dia.

“Não há uma obrigatoriedade de pousar nessa forma padrão, mas, quando ele sai dessa zona de proteção do aeródromo, é por conta e risco dele. Ele se afastou muito, veio muito baixo e se chocou”, avaliou o delegado. Nenhum problema técnico foi relatado pelo piloto ao longo do voo. Ainda de acordo com o delegado, a Cemig não estava obrigada a sinalizar a existência dos cabos de energia, por estarem além da zona de proteção do aeródromo, delimitada por um raio de três quilômetros.

O advogado Sérgio Alonso, que representa a filha do piloto Vitória Medeiros em uma ação indenizatória contra a Cemig, afirma que a empresa deveria ter sinalizado a presença dos cabos de transmissão. A ação foi ajuizada nesta quinta-feira, após a conclusão de uma longa perícia sobre o caso encomendada pela família do piloto.

“A aproximação é feita de fora para dentro da zona de proteção. Como tinha este fio, os aviões que conhecem essa região fazem o mergulho antes, de forma abrupta. Esse foi o primeiro voo dele no local, e a norma em aviões comerciais é fazer curvas de pequena inclinação, suaves”, disse o advogado Sérgio Alonso, explicando a opção do piloto Geraldo Medeiros.

Ainda de acordo com Alonso, o piloto teve ainda sua visão prejudicada pelo sol, que estava em sua direção. A Cemig deveria ter sinalizado a presença das torres independentemente delas estarem ou não na zona de proteção, afirmou ainda. “Ela plantou um risco sem sinalização. Mesmo que a torre esteja fora da zona de proteção, ela está por 800 metros. Não são nem 10 segundos para o avião passar. Por que ela não teve o bom senso de sinalizar? Ela correu o risco”, conclui o advogado, especializado em Direito Aeronáutico.

A torre que causou a queda do avião continua no mesmo local e a Cemig informou que as instalações estão de “acordo com as Normas Técnicas Brasileiras e a regulamentação em vigor”, não existindo necessidade de alteração. A estatal reafirmou ainda que não há necessidade de sinalização específica no caso.


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