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Ipasgo descredencia Ingoh e Oncovida por descumprimento de contrato; atendimentos serão garantidos pelos próximos seis meses apenas para os 1.280 pacientes que já estão em tratamento nesses locais
Ipasgo descredencia Ingoh e Oncovida por descumprimento de contrato
17/11/2022, às 11:45 · Por Redação
O Instituto de Assistência dos Servidores Públicos de Goiás
(Ipasgo) descredenciou o Hospital Oncovida e o Instituto Goiano de Oncologia e
Hematologia (Ingoh) por descumprimento de contrato e danos ao erário. Desde
quarta-feira, 16, as unidades não podem mais receber beneficiários da
autarquia. Os atendimentos serão garantidos pelos próximos seis meses apenas
para os 1.280 pacientes que já estão em tratamento nesses locais.
Segundo o Ipasgo, a decisão pelo rompimento dos contratos
foi tomada de forma unânime, em votação colegiada pelo Conselho Deliberativo,
após comprovação de irregularidades que resultaram em perdas superiores a R$ 27
milhões aos cofres do instituto. As condutas, identificadas durante inspeção da
Controladoria-Geral do Estado (CGE), estavam em apuração desde 2019. Os casos
ocorreram entre os anos de 2014 e 2016.
Com o fim dos contratos, o Ipasgo montou um comitê para
auxiliar os pacientes que agora precisam buscar outro prestador. O grupo já
está conversando individualmente com os usuários sobre os motivos que levaram
aos descredenciamentos e apresentando a eles toda a rede credenciada de
oncologia, para livre escolha dos pacientes. O instituto garante que não haverá
qualquer prejuízo na assistência à saúde dos usuários que hoje são atendidos
nesses locais.
O instituto disse que convocou 396 prestadores a atenderem
os usuários do Sistema Ipasgo Saúde. Entre eles estão cancerologistas,
hematologistas, mastologistas, radioterapeutas, gastroenterologistas,
geriatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.
De acordo com o processo administrativo aberto para apurar
os indícios e que confirmou as suspeições apontadas pela Controladoria, o Ingoh
recebeu de modo indevido mais de R$ 23 milhões. Esse valor é resultante da
suspensão do desconto de 15% nos valores cobrados por materiais e medicamentos;
de sobretaxa de 32,18% na Tabela Ipasgo e de pagamentos de valores 17% acima da
tabela da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Além disso, houve cobrança de taxa de sala em situações não
previstas em contrato. Só a suspensão do desconto contratual de 15%, por
exemplo, resultou no pagamento indevido de R$ 10,4 milhões ao Ingoh. Já em
relação ao Oncovida, foi identificado prejuízo superior a R$ 4 milhões, por
meio de faturamento de medicação com preços distintos do contratado, sobretaxa
das salas de quimioterapia e também da não aplicação do desconto de 15%,
previsto no contrato, nos serviços prestados.
O Oncovida e o Ingoh foram notificados sobre o processo e
oportunizado a eles o direito ao contraditório e à ampla defesa. O primeiro, no
entanto, não se manifestou após nenhuma das quatro notificações enviadas pelo
Ipasgo. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) acompanhou a tramitação e
respaldou a legalidade da mesma.
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