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Assim como outras capitais fizeram, é um pontapé importante de Goiânia para dar fim aos logradouros públicos que celebrem ditadores
Vitória da democracia: Câmara aprova novo texto para que Iris Rezende dê nome à avenida
17/11/2022, às 21:00 · Por Eduardo Horacio
A Câmara de
Vereadores de Goiânia aprovou na manhã desta quinta-feira, 17, por 16 votos a
8, em segunda votação, a mudança de nome da Avenida Castelo Branco para Agrovia
Iris Rezende Machado. O Projeto de Lei (PL) agora será encaminhado para sanção
ou veto do prefeito.
Foi aprovada ainda
uma emenda que estabelece o prazo de cinco anos para que os comerciantes façam
as modificações necessárias. O vereador Clécio Alves (MDB), autor do PL,
presidiu a sessão desta quinta.
A mudança é uma
vitória da democracia. Assim como outras capitais fizeram, é um pontapé
importante de Goiânia para dar fim aos logradouros públicos que celebrem
ditadores. Melhor ainda: vai homenagear alguém que lutou contra a ditadura e é
reconhecidamente o construtor de pelo menos dois terços da Goiânia que
conhecemos hoje.
A Lei Orgânica de
Goiânia é clara e permite a mudança de nome de logradouros que homenageiam
ditadores ou pessoas ligadas à ditadura militar no Brasil (de 1964 a 1985). Um
dos articuladores do golpe de 64, o general Humberto de Alencar Castello Branco
foi o primeiro dos cinco militares a presidir o País naquele período e deu nome
à avenida nos anos 70. Antes, o nome era “Avenida Maranhão”.
Propositor da mudança, Clécio Alves afirmou que a mudança é um reconhecimento à
luta de Iris pelo restabelecimento da democracia no Brasil. Então prefeito de
Goiânia, Iris Rezende teve seu mandato cassado pela ditadura em 1969 e só
recuperou seus direitos políticos após 10 anos.
Idas e vindas
Um outro projeto que determinava
a mudança de nome chegou a ser aprovado em dois turnos no início do ano, mas foi
vetado pelo prefeito.
Preso e torturado
pelos ditadores, o jornalista Pinheiro Salles escreveu dois artigos em 2020 no
jornal O Popular defendendo a mudança de nome em uma das principais
avenidas que cortam a Capital para Avenida Iris Rezende Machado. Segundo ele,
manter o nome de um ditador “significa uma agressão ao povo goiano”.
“Absolutamente nada justificaria a humilhação com um algoz do povo goiano”,
acrescentou ele. “Queremos ter a tranquilidade de transitar, estudar e
trabalhar na Avenida Iris Rezende Machado. Que os vereadores e vereadoras
assumam essa histórica iniciativa”, concluiu Pinheiro Salles, em primeiro
artigo publicado em 18 de novembro, nove dias após a morte do ex-governador e
ex-prefeito.
O professor
Arquidones Bites também escreveu em O Popular a favor da
mudança. “Ele lembrou da luta de Iris pela democracia no Brasil e disse
que os “autoritarismos, do passado e do presente, muito infelicitaram a vida da
população goiana”.
Quem também se
manifestou a favor da mudança foi o artista plástico Siron Franco. “Eu já
mandei para muita gente, para mais de 2 mil pessoas aqui (o abaixo-assinado)
pedindo a troca do nome”, afirmou em áudio que circula no WhatsApp. O advogado
Edilberto Dias, ex-procurador de Goiânia e ex-presidente da Comurg, também se
manifestou favoravelmente à mudança do nome.
Representando o PT na Câmara, o vereador Mauro Rubem (futuro
deputado estadual) diz que votou novamente a favor da mudança de nome da
avenida Castelo Branco para Agrovia Iris Rezende por três motivos: pela
homenagem a Iris, porque Castelo Branco foi um ditador, que só prejudicou o
país; e porque futuramente os comerciantes entenderão que a mudança será
positiva a eles.
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