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Foto: Ícaro Santos
Os promotores Paulo Penna Prado (MP-GO) e Daniel Martinez (MP-MG) esclareceram ações deflagradas na manhã de ontem
Operação Mercúrio realiza 85 prisões, incluindo 4 da Polícia Civil de Goiás
30/08/2019, às 00:05 · Por Eduardo Horacio
Promotores dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao
Crime Organizado (Gaecos) dos Ministérios Públicos de Minas Gerais – Uberlândia
– e de Goiás, apresentaram, em entrevista coletiva na sede do MP-GO, balanço da
Operação Mercúrio, deflagrada, em conjunto, pelos Gaecos dos Estados de Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Tocantins, Pernambuco, São Paulo – Franca – e
Paraná – Londrina. A operação teve como objeto de investigação uma ramificada
organização criminosa que atua no roubo e receptação de caminhões e cargas, em
seus diversos núcleos (operacional, jurídico, lavagem de dinheiro, receptação,
apoio logístico, empresas fantasmas, entre outros).
As investigações duraram cerca de dez meses e tiveram como
origem as Operações Catira e Fideliza, deflagradas pela Polícia Federal em
2015. Os crimes apurados referem-se à atuação do grupo entre os anos de 2014 e
2015. De acordo com o promotor Paulo Eduardo Penna Prado, o Gaeco do MP-GO
apoiou o cumprimento da operação em Goiás, tendo envolvido 17 promotores
goianos e servidores e contando com o apoio das Polícias Civil e Militar do
Estado.
Quatro integrantes da Polícia Civil de Goiás também foram
presos durante a Operação Mercúrio, sendo um delegado, um escrivão e dois
agentes, que, segundo a Polícia Civil de Goiás, estavam lotados na Delegacia
Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar) em 2014, época em que
ocorreram os fatos investigados. Os nomes dos quatro não foram revelados.
O promotor de Justiça do Gaeco do MP-MG em Uberlândia,
Daniel Martinez, afirma que os policiais civis de Goiás foram presos por
recebimento de vantagem indevida durante uma abordagem ocorrida em Aparecida de
Goiânia, na região metropolitana da capital. O promotor garante que há provas
de que os integrantes da organização negociaram com os agentes, que tiveram sua
identificação confirmada durante as investigações. Ambos foram detidos de forma
preventiva. Presos temporariamente, o delegado e o escrivão serão questionados
a respeito de um termo, assinado por ambos, que autorizou a restituição de tais
bens ao grupo, segundo o promotor.
Dois agentes teriam recebido o valor de R$ 100 mil para
restituir aos integrantes do grupo 30 cheques e dois veículos, inclusive um
Camaro (modelo da marca Chevrolet), que tinham sido a ele entregues pelo
receptador como pagamento por uma carga roubada.
Daniel Martinez esclareceu que foram cumpridos, no total, 40 mandados de prisão
preventiva e 45 mandados de prisão temporária. Em Goiás, foram 14 mandados de
prisão preventiva, sendo 2 de investigados de outros Estados, mas que estavam
em municípios goianos, e 20 de prisão temporária. Restaram quatro mandados a serem
cumpridos.
No Estado de Minas Gerais foram cumpridos 20 mandados de
prisão preventiva e 18 de prisão temporária. Nos demais Estados, a operação
teve êxito total no cumprimento dos mandados.
A essas prisões somam-se ainda 110 mandados de busca e apreensão,
que foram cumpridos nas cidades de Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia,
Bela Vista de Goiás, Gouvelândia, Inhumas, Itumbiara, Quirinópolis, Rio Verde,
Santa Helena de Goiás, Silvânia, Trindade, Vianópolis, Araguari (MG), Iraí de
Minas (MG), Patrocínio (MG), Santa Juliana (MG), Uberlândia (MG), Campo Grande
(MS), Chapecó (SC), Franca (SP), Belém (PA), Londrina (PR), Olinda (PE), Taipas
do Tocantins (TO) e Várzea Grande (MT). Foi determinado o bloqueio bancário de
R$ 40 milhões, bem como decretado o sequestro de mais de 200 veículos.
A Operação Mercúrio contou ainda com o apoio da Secretaria
da Fazenda de Goiás, Polícia Militar de Minas Gerais, Administração
Penitenciária de Minas Gerais (Suape) e do Grupo Especial do Patrimônio Público
do MP-MG (GEPP). O nome da operação, segundo a mitologia romana, refere-se a um
mensageiro, deus dos transportes, da venda, do comércio, do lucro e dos
ladrões.
O esquema
Conforme apontado pelo promotor Daniel Martinez, que coordenou a operação, o
grupo atuava com diferentes núcleos de atuação, sendo os principais o Núcleo
Operacional, responsável por executar roubos de cargas variadas em rodovias da
Região do Triângulo Mineiro e Sul de Goiás; o Núcleo dos Negociadores
(Intrujões), aqueles responsáveis por negociar as cargas roubadas com os
receptadores, que formavam um terceiro núcleo no esquema. Além destes figuravam
ainda os Núcleos de Apoio Logístico, responsável pelo transporte e armazenagem
das cargas; o Núcleo da Lavagem de Dinheiro, integrado por lojas de carros de
luxo, responsáveis por “esquentar” o dinheiro, e também empresas de fachada,
que trocavam as notas originais e faziam as mercadorias transitarem como
lícitas. Havia, ainda, o Núcleo Jurídico, responsável por dar suporte legal na
prática dos crimes.
De acordo com o promotor, foram registrados pelo menos 70
roubos orquestrados pela quadrilha entre os anos de 2014 e 2015, o que, somados
aos cheques apreendidos, carros de luxo e os prejuízos causados aos Fiscos dos
Estados de Goiás e Minas Gerais, totalizam aproximadamente R$ 40 milhões em
prejuízo, valor que foi bloqueado judicialmente e será eventualmente utilizado
na reparação de danos às vítimas.
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