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Segundo analistas políticos, a situação do partido em Goiás começou a se agravar, de fato, com a perda do comando do governo do Estado, em 2018
Em meio ao desgaste, PSDB goiano encolhe e quadros históricos sinalizam deixar legenda
19/01/2023, às 21:06 · Por Eduardo Horacio
Sem proposta de renovação e com acúmulo de desgastes, o PSDB
goiano vem experimentando um processo de esvaziamento nos últimos anos, fato
que se agravou com a derrota de José Eliton na eleição de 2018 para o governo e
também com o fiasco do ex-governador Marconi Perillo na disputa para o Senado
em duas eleições consecutivas (2018 e 2022). Em meio ao processo de
encolhimento da legenda que governou Goiás por 16 anos, novas lideranças
anunciam que estão de saída.
Um dos últimos tucanos de alta plumagem no Estado, o
prefeito de Uruaçu, Valmir Pedro, também manifestou desejo de deixar o ninho
tucano. Ele criticou o comportamento da direção nacional da sigla em relação à
eleição de 2022 em Goiás. Valmir, que apoiou a reeleição de Ronaldo Caiado,
avalia que o melhor caminho para manter sua liderança política na região Norte
do Estado é caminhar ao lado do governador, e que isso não será possível no
PSDB. Como se vê, o futuro do partido, que já foi grande em Goiás, é incerto e
pouco animador.
Alegando falta de estrutura e relevância do PSDB em níveis
nacional e estadual, o próprio ex-governador Marconi Perillo teria cogitado
deixar o partido e buscar novas siglas que possam garantir a ele condições de
disputar o governo de Goiás em 2026. Marconi estaria descrente e ressentido com
a postura da legenda nas eleições do ano passado, quando foi mais uma vez
derrotado na disputa pelo Senado. Segundo ele, o PSDB nacional não teria dado
respaldo para aliança com o PT. O tucano tem dito a aliados mais próximos que o
partido está muito desgastado em Goiás.
Desidratação
O PSDB, que já teve uma bancada de sete deputados estaduais e cinco
deputados federais eleitos em 2014, vem perdendo espaço na composição das
bancadas, tanto na Assembleia Legislativa, onde conseguiu apenas duas cadeiras
nas eleições do ano passado, quanto na Câmara dos Deputados, agora representado
apenas por Lêda Borges, eleita para a Câmara nas eleições de outubro.
Também é visível a diminuição da representatividade do
partido no interior do Estado. Depois de eleger 75 prefeitos nas eleições
municipais de 2016, o PSDB conseguiu vencer a eleição em apenas 20 cidades
goianas em 2020. Hoje, apenas 14 gestores municipais ainda estão filiados à
legenda.
Segundo analistas políticos, a situação do partido em Goiás
começou a se agravar, de fato, com a perda do comando do governo do Estado, em
2018, e com a derrota de Perillo para o Senado naquela eleição, quando foi
apenas o 5º colocado. Com a ascenção de Ronaldo Caiado ao poder e a revelação
da situação fiscal e financeira do Estado, deixada pelos tucanos, o partido
passou a sofrer uma espécie de retaliação eleitoral, o que explicaria o fiasco
nas eleições de 2020, principalmente na capital, onde o então candidato do
partido, deputado Talles Barreto, teve apenas pouco mais de 5 mil votos.
Ao longo da última década, o PSDB de Goiás conviveu com uma
série de escândalos de corrupção envolvendo suas mais proeminentes figuras,
como a prisão de dois ex-presidentes da sigla, em 2016, no curso da Operação
Decantação, que investigou desvios na Saneago. Em 2018, o ex-governador Marconi
Perillo também chegou a ser preso na Operação Cash Delivery, que já havia
levado à cadeia o homem forte do governo tucano da época, Jaime Rincón, então
presidente da antiga Agetop, ambos acusados de receber propinas da empreiteira
Odebrecht. Todos esses episódios acabaram contribuindo para que o partido fosse
caindo em descrédito junto ao eleitorado goiano.
Com a perda do protagonismo tucano, a partir do início de
2022, já visando as eleições estaduais, nomes importantes do partido, a exemplo
do próprio Talles Barreto, que foi líder do governo tucano na Alego, deputado
estadual Francisco Oliveira e Célio Silveira, deputado federal com forte
influência no Entorno do DF, deixaram o PSDB, buscando abrigo em siglas que
lhes garantissem a reeleição.
Antes, no início de 2021, o PSDB já havia perdido Jânio
Darrot, uma expressiva liderança da região Metropolitana, havia 14 anos
filiados à legenda. Um ano depois, o próprio José Eliton, que foi vice de
Marconi nos dois últimos mandatos do tucano, também deixou o partido. Sem
estrutura partidária, o PSDB goiano não lançou nome para o governo, fato que
dificultou a eleição proporcional da sigla.
PSDB Marconi Perillo