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Gôndolas vazias em loja da Americanas na Avenida Anhanguera no centro uma semana após vir à tona rombo de R$ 43 bilhões
Em Goiás, clientes da Americanas encontram gôndolas vazias e unidade fechada no interior
20/01/2023, às 19:07 · Por Redação
Os clientes das lojas Americanas no Estado encontraram
gôndolas vazias, poucos caixas funcionando e até loja fechada em Goianésia antes do horário previsto. A reportagem visitou três lojas na capital e recebeu
informações que às 17h30 a loja de Goianésia estava fechada, apesar de sempre funcionar de segunda a sábado de 08h às 19.
A unidade da Avenida Anhanguera, centro da capital, estava
com prateleiras vazias, principalmente de alimentos, como chocolates. “A empresa
foi vender kit kat por R$ 1 real também, por isso quebrou”, comentou um cliente
que escolhia um chocolate em meio a poucas opções.
O desabastecimento é visível. Desde sabonetes, creme dental
até o setor de vestuário, cama, mesa e banho e poucas opções na área destinada
a material escolar, mesmo bastante demandado no início do ano. A seção de
mochilas praticamente sem opção.
As mais de 20 gôndolas de brinquedos é rara exceção. Talvez
por ser menos perecível. Já no início da loja, vazios entre os eletroeletrônicos.
De ferro de passar a ventiladores, falta quase tudo. Mesma carência observada no
setor de bebidas.
Uma atendente enfrentava heroicamente uma fila, até mediana
pelo tamanho da loja, enquanto outros 15 caixas estavam fechadas. Quando começou
a crescer e atingir cinco pessoas, um segundo caixa foi aberto.
Questionada se havia falta de funcionários, a atendente
disse que está como antes. “Não demitiram ninguém, está do mesmo jeito que
antes. Todo mundo pergunta se vai fechar, mas não deu nada, continuam vindo,
eles passam e entram. A avenida é muito movimentada. Não acredito que vá
fechar, o dono é milionário”, disse a jovem.
Já na unidade da República do Líbano, um uma expositora de
produtos próximos da data de vencimento anunciados “com até 50% de desconto”, o mesmo não era detalhado individualmente, como o Procon determina. No Kinder
ovo de 2 unidades de 20g cada, só havia o preço de R$ 8,49, não informado qual
o percentual de desconto. O mesmo com cápsulas de café da marca Starbucks, R$ 21,99, e biscoitos, tudo sem o valor de referência.
Apenas um dos três caixas, o preferencial, estava
funcionando. Com uma fila razoável pelo horário, próximo das 18h, e com poucos
clientes na loja. Cinco clientes circulando pela loja e seis na fila. A seção
de fraudas e cosméticos eram as mais vazias.
A unidade do Flamboyant está em melhor situação. A loja
certamente é o cartão postal da gigante do varejo, pelo menos até estourar o escândalo
na semana passada. “Sempre muito cheio, muito lotado. As prateleiras continuam
cheias. Não parece ter influenciado nada até agora. Só o atendimento continua
péssimo”, comentou um cliente, que trabalha em uma loja de vestuário do centro
de vendas.
Sobre Goianésia, tentamos contato com o número da loja
cadastrado no Google e ninguém atendeu. A site está aberto a qualquer
esclarecimento. A reportagem também pediu esclarecimentos à matriz sobre o
cenário em Goiás e atualizará a informação, em caso de resposta.
Crise
O escândalo contábil revelado pela Americanas há pouco mais de uma semana
provocou o derretimento em quase 90% do valor das ações da empresa e um pedido
de recuperação judicial. O rombo é de R$ 43 bilhões. Apesar disso, o grupo
de acionistas referência da empresa, formado pela 3G Capital Partners — dos
sócios Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Hermann Telles —,
informou ao presidente do conselho de administração que pretende manter a
liquidez da empresa em patamares que permitam o bom funcionamento da operação
de todas as suas lojas.
Americanas Crise Varejo