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Foto: Divulgação
A nota dos estudantes ainda lembra, com base em dados do próprio governo federal, que cerca de 80% dos estudantes da UFG são de baixa renda, muitos são oriundos de outros Estados do Brasil
Quase 100 estudantes da UFG ocupam prédio da reitoria em protestos contra cortes de Bolsonaro
06/09/2019, às 00:39 · Por Eduardo Horacio
No início da tarde desta quinta-feira, 5, cerca de 100
estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG) ocuparam o prédio da
reitoria, no campus Samambaia, em protesto contra cortes na Educação,
promovidos pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC). A
ocupação, encampada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) trouxe a faixa:
“Contra os Cortes! Não é essa a universidade que queremos”.
Durante o protesto estão sendo questionadas as demissões de
trabalhadores terceirizados, racionamento de água e energia, inclusive com o
desligamento de ar-condicionado. São criticados ainda os cortes de bolsas de
Capes e CNPq e a falta de verbas para a realização de atividades práticas que
acontecem no local.
A nota também diz que a ocupação é para “se posicionar contra
o desmonte protelado da UFG em meio aos retrocessos que a educação pública vem
sofrendo de cortes de verbas e ameaça de privatização com o projeto ‘Future-se’
no nosso país. Demissão de trabalhadores terceirizados, racionamento do uso de
água e energia (incluindo o desligamento de ar condicionados), corte de bolsas
(monitoria, assistência estudantil, etc.) ou atraso no pagamento, falta de
verbas para realização de aulas e atividades práticas que envolvem material de
laboratório, suspensão do edital de residência médica do Hospital das Clínicas
UFG, entre outras. Essa é a atual situação de calamidade da nossa Universidade”.
O DCE lembra que, desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, durante o
Governo de Michel Temer, a Universidade Pública começou a sentir o impacto
orçamentário que começaria a acarretar prejuízos para o desenvolvimento de uma
educação pública, gratuita, democrática, autônoma, socialmente referenciada e
de qualidade. “Agora, com o Governo Bolsonaro o projeto de desmonte da
Universidade fica ainda mais intenso desde as suas declarações mentirosas e
vexatórias sobre as Universidades Federais até os cortes de 30% das verbas
destinadas as mesmas e dos investimentos em ensino, pesquisa e extensão”,
pontua.
“Inimigos”
A nota sobe o tom quando fala do MEC. “Não temos dúvidas de que Bolsonaro e seu
atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, são inimigos da educação! Estes,
sob um projeto fascista de destruição das riquezas e patrimônios públicos do
povo brasileiro e entregá-los a banqueiros e empresários, agora querem acelerar
o processo de destruição da Universidade Pública brasileira. Um país sem
educação acessível e de qualidade é um país sem soberania nacional e
desenvolvimento baseado na ciência e na tecnologia”, critica.
A nota ainda lembra, com base em dados do próprio governo federal, que cerca de
80% dos estudantes da UFG são de baixa renda, muitos são oriundos de outros
Estados do Brasil e que ingressaram na Universidade através do programa de
cotas e do Sistema de Seleção Unificada (SiSu). A UFG é responsável hoje por
formar estudantes da educação básica gratuitamente através do Centro de Ensino
e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE), possui o Hospital das Clínicas 100% SUS
que realiza atendimentos e procedimentos à população, realiza anualmente mais
de 2000 projetos de extensão com a sociedade, desenvolve pesquisas em parceria
com mais de 100 países, está entre as 20 melhores universidades do Brasil (RUF
2018 e THE 2018). Essas são algumas das qualidades da nossa Universidade que se
encontram ameaçadas com os retrocessos que estão ocorrendo.
Resposta da Reitoria
A reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgou nota dizendo que tem
empreendido grandes esforços para reverter o bloqueio de recursos financeiros
que prejudica o andamento das atividades de todas as instituições federais de
ensino superior brasileiras. A situação orçamentária tem sido tratada
diretamente pelo reitor Edward Madureira Brasil, que também é vice-presidente
da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino
Superior (Andifes), junto ao Ministério da Educação (MEC) e ao Congresso
Nacional.
A nota ainda diz que “é de extrema importância que toda a
comunidade universitária esteja envolvida nesta questão, cobrando do governo
federal medidas que garantam a manutenção do ensino superior público, gratuito
e de qualidade. Entretanto, a administração superior da UFG considera que a
manifestação dos estudantes no prédio da Reitoria não contribui para a busca conjunta
de soluções, sobretudo pelo risco de inviabilizar atividades administrativas e
acadêmicas e o atendimento de estudantes, professores, técnicos administrativos
e da comunidade em geral.”
UFG DCE-UFG Edward Madureira Universidade Pública Ensino Superior MEC Jair Bolsonaro Abraham Weintraub