Poder Goiás
Goiânia, 03/04/25
Matérias
Divulgação

Comandante-geral da PM emite nota de repúdio sobre prova de concurso que chamou PMs de "milicianos" em Goiás

Após polêmica, banca anula questão que chamava PMs de ‘milicianos’ em prova de concurso da Polícia Civil

12/02/2023, às 15:29 · Por Redação

Após a polêmica de uma questão que chamava policiais militares de “milicianos”, o Instituto AOCP, responsável pela aplicação das provas no concurso de escrivão da Polícia Civil, que aconteceu no último dia 15 de janeiro, anulou a questão. A decisão foi tomada após diversos candidatos entraram com recursos para que a pergunta fosse desconsiderada no critério de avaliação.

No site da banca, o instituto colocou que a questão foi anulada “por trazer contextualização e termo inadequados para o ambiente das forças de segurança, considerando o sentido que, na atualidade, a mídia e as redes sociais (meios de comunicação em geral) têm conferido ao vocábulo utilizado na elaboração da questão”. O instituto afirma que, por causa disso, todos os alunos receberão a pontuação da questão. Inclusive, os que não entraram com recurso.

A pergunta de número 58 trazia uma situação de abuso de autoridade, mas, durante o enunciado, por duas vezes o termo "miliciano" foi utilizado para se referir aos policiais militares. A pergunta não foi bem vista no alto comando da Polícia Militar.

O comandante-geral da PM, coronel André Henrique Avelar, cobrou uma retratação em uma nota de repúdio publicada nas redes sociais. No comunicado, ele disse questão fazia um “disparate tão inescrupuloso”. Além disso, ele disse que o texto apresentado era “nefasto e funesto” e que teve intenções “de atingir uma corporação que é patrimônio do povo goiano.” A pergunta, ainda de acordo com o comandante geral, ofendia gratuitamente a corporação.

De acordo com a Anistia Internacional, milicianos são grupos que não têm ligação nenhuma com as forças de segurança e que utilizam da força para extorquir a população em determinados territórios urbanos.

Milícia

Miliciano é um termo usado para grupos armados irregulares, formados muitas vezes por integrantes e ex-integrantes de forças de segurança, como policiais, bombeiros e agentes penitenciários. Os milicianos assumem por meio da força armada o controle territorial de áreas ou mesmo bairros inteiros e coagem moradores e comerciantes, segundo definições traçadas pelos pesquisadores Ignácio Cano e Thais Duarte no estudo "No Sapatinho: a evolução das milícias no Rio de Janeiro (2008-2011)", publicado em 2012.


Concurso Polícia Cível Polícia Militar Milícia Goiás