Matérias
Divulgação
As visitas íntimas em presídios estaduais estavam suspensas desde março de 2020 devido à pandemia de Covid-19
Governador vai discutir junto ao Judiciário situação das visitas íntimas no sistema penitenciário
23/02/2023, às 21:05 · Por Eduardo Horacio
O governador
Ronaldo Caiado vai abrir diálogo junto ao Poder Judiciário para encontrar um
consenso sobre o impasse envolvendo as visitas íntimas no sistema penitenciário
goiano. Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, 23, o chefe do
Executivo alertou que tal modalidade gera insegurança na população, uma vez que
a privacidade concedida pode ser utilizada como via direta para ordenar crimes.
As visitas íntimas
em presídios estaduais estão suspensas desde março de 2020 devido à pandemia de
Covid-19. Em abril de 2022, a portaria 245/2022 regulamentou a retomada das
visitas presenciais, mas as íntimas seguiram impedidas. Em janeiro, houve a
promulgação da Lei nº 21.784 que as proíbe de forma definitiva. Porém, na
quarta-feira, 22, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Goiás acatou uma
Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pela Ordem dos Advogados do
Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) e suspendeu, em medida cautelar, a sua eficácia.
O Estado de Goiás não foi provocado na ação judicial para apresentar seu
posicionamento.
Na coletiva de
imprensa, Caiado afirmou que tal decisão judicial de suspender a lei “preocupa,
e muito, a Segurança Pública”. “Sabemos que a visita íntima sempre foi usada
para articulação de crimes como assassinato e tráfico de drogas”, alertou. A
visita íntima, por diversas vezes, também expõe às famílias a situações
constrangedoras, o que no passado possibilitou inclusive a práticas de crimes
contra os familiares dos detentos, com diversos episódios de violência e casos de
abuso sexual.
De acordo com
Caiado, a visita íntima não configura um direito, mas uma “regalia”. E que
desde que assumiu o Estado, em 2019, tem realizado uma série de investimentos
para garantir os direitos da população privada de liberdade. “Construímos,
ampliamos e reformamos [unidades prisionais], implantamos serviço médico,
psicológico, oportunidade de emprego para ampliar o atendimento ao cidadão que
está preso”, elencou.
Durante a
entrevista, o diretor-geral de Administração Penitenciária, Josimar Pires,
explicou que a portaria seguida atualmente pelo Estado regulamenta as
modalidades de visita, o que não inclui as íntimas. “Hoje temos as presenciais,
em parlatórios, espaços de convivência familiar. Todos são monitorados com a
presença do policial penal. Também existem as visitas de modo virtual,
concedendo o direito àquelas pessoas que residem longe e não possuem capacidade
de se deslocarem até a unidade prisional”, argumentou.
Visitas Íntimas Sistema Prisional Governo de Goiás