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Tabu, desinformação e receio ainda são empecilhos para que órgãos possam ser transplantados

65% das famílias recusam doar órgãos de parentes após morte encefálica, aponta Complexo Regulador em Saúde

24/02/2023, às 10:48 · Por Redação

A Superintendência do Complexo Regulador em Saúde de Goiás, por meio da Gerência de Transplantes e Coordenação de Credenciamento e Monitoramento, divulgou que  65% dos familiares foram contra a doação de órgãos de seus parentes após confirmação do diagnóstico de morte encefálica no Estado. 

Não ser doador em vida, foi o principal argumento para a negativa das famílias, seguido pelo temor que o procedimento possa ser demorado, descontentamento com o atendimento e indecisão. 

Enquanto a recusa dos familiares é uma realidade, as estatísticas mostram a fila de espera, que somente no mês de janeiro, o sistema contava com 117 consultas agendadas para avaliação em transplante de rim, quatro de fígado, um de córnea e sete de medula. Há ainda os dados referentes a pacientes portadores de doenças não tratáveis no município ou Estado em que moram, que informam que tem um paciente à espera de um fígado pediátrico, três esperam por transplante de coração e dois de pulmão.

Quanto à lista dos que aguardam, apenas de receptores ativos, o documento informa que 1477 esperam por transplante de córnea; 314 de rins e três de fígado. A Planilha de Notificações Mensais de Morte Encefálica traz a informação que foram notificados 39 óbitos, sendo doadores elegíveis 21 e doações efetivas cinco. Dentre as causas da não efetivação foram 13 negativas familiares; seis contra indicação clínica; e três diagnósticos de mortes encefálicas não confirmadas.

Por estabelecimento, o Hospital Estadual de Urgências de Anápolis aparece em segundo lugar no Estado, com oito notificações de morte encefálica, quatro entrevistas familiares, mas nenhuma doação efetiva. Os dois motivos foram a recusa familiar e contra indicação clínica. Ainda segundo a planilha de doadores de morte encefálica por sexo, foram quatro mulheres e um homem; três tinham entre 35 e 49 anos e dois entre 50 e 64.

A planilha traz ainda a informação que foram 21 doadores oculares em janeiro. Diferentemente das captações de tecidos, a captação dos órgãos é proveniente apenas com diagnóstico dos doadores por morte encefálica, sendo 14 órgãos captados, um fígado e um coração. Dados da Planilha com os Transplantes de Órgãos e Tecidos Realizados em 2023, seis são de Rim, 27 de córnea, dois esclera (conhecida popularmente como a parte branca do olho), um tecido músculo esquelético e cinco medula óssea.


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