Poder Goiás
Goiânia, 03/04/25
Matérias
Rodrigo Cabral

Se Marconi tivesse copiado Aécio, teria se consagrado nas urnas em 2022 com boa votação, voltando com força ao Congresso Nacional, de onde saiu em 1998 para se eleger governador pela primeira vez

Análise: Por que Marconi se recusa a emular Aécio Neves?

03/03/2023, às 23:13 · Por Eduardo Horacio

Outrora mais antenado com o tempo da política e com a voz das ruas, nos últimos quatro anos o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) não consegue ser sombra do que já foi. Mesmo tendo sido governador por quatro vezes, parece ter perdido o tino político e não tem se conformado com seu novo tamanho, mais reduzido, ainda que temporário. 

Sua ida para São Paulo, logo após perder as eleições para o Senado em 2018 e depois da prisão-relâmpago, pegou mal entre os eleitores goianos. Ficou ausente dos debates e perdeu legitimidade para debater qualquer assunto, na visão do eleitor. Em vez de se conformar e perceber rapidamente seu novo tamanho, como Aécio Neves fez em Minas Gerais, voltou a Goiás quatro anos depois, como se nada houvesse ocorrido, e tentou novamente ser senador. 

Aécio submergiu, mas não saiu do debate dos assuntos mineiros e contentou-se em ser deputado federal, uma eleição mais fácil e menos afeita a imprevisibilidades. Se Marconi tivesse feito o mesmo, teria se consagrado nas urnas em 2022 com boa votação, voltando com força ao Congresso Nacional, de onde saiu em 1998 para se eleger governador pela primeira vez. Em vez disso, subestimou sua rejeição e viu a eleição para o Senado escorregar pelas mãos, com os goianos elegendo de última hora o bolsonarista Wilder Morais. 

Marconi também ajudou a afundar o PSDB goiano, assim como já ocorre com o tucanato em outros Estados. Forçou o partido a não lançar nenhum candidato a governador e nem apoiar nenhum outro. Mas, antes, alimentou entre os tucanos a expectativa de que toparia ser candidato a governador (fez até pesquisa interna, de forma oficial), mas não cumpriu com a palavra, frustrando os aliados de primeira hora.

Para piorar, Marconi perdeu o discurso. Para não ser atacado, resolveu não atacar nem mencionar o governador Ronaldo Caiado (UB) nenhuma vez durante toda a campanha eleitoral. Ótimo para Caiado, que nadou de braçada na eleição para governador e péssimo para Marconi, que passou a ser visto pelo eleitor como um oposicionista hesitante. No plano nacional, novo erro. Marconi ameaçou se aliar ao PT, mas também faltou coragem, ficando em cima do muro, o pior dos cenários.

Entre seus últimos movimentos, já pós-eleição, ameaçou sair do PSDB e recuou. Entre as possibilidades, pode transferir o título de eleitor para Goiânia e ser candidato a prefeito em 2024, nem que seja para tentar recuperar parte da popularidade que perdeu na capital nos últimos 15 anos. Em 2026, pode de novo tentar ser governador ou senador. Ou finalmente emular Aécio e ser deputado federal. De toda forma, precisa se atualizar. Suas redes sociais parecem mais as de um político aposentado, ora falando de nulidades, ora criticando opositores, mas sem repercussão alguma. Marconi não está morto politicamente, bobeira de quem subestimá-lo. Mas, pela primeira vez em sua carreira política, tem mais errado do que acertado. Para azar de seus aliados históricos, que se sentem abandonados.


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