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PMs são denunciados por torturar mulher durante abordagem em Goiânia; eles estão presos desde fevereiro
PMs são denunciados por torturar mulher durante abordagem em Goiânia
10/03/2023, às 15:15 · Por Redação
Seis policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) por sequestrar e torturar uma mulher durante uma abordagem no Bairro Boa Vista, em Goiânia. Os agentes estão recolhidos no Batalhão Anhanguera, desde o mês de fevereiro, após pedido do órgão. Eles são investigados por supostas práticas de extorsão, sequestro, violação de domicílio e falsidade ideológica, todos do Código Penal Militar, além do crime de tortura, da Lei de Abuso de Autoridade, e de organização criminosa armada, prevista no Código Penal.
O caso aconteceu em janeiro deste ano após a vítima não se render a exigência de entregar R$ 50 mil e drogas para os policiais. Foram denunciados pela 84ª Promotoria de Justiça de Goiânia e pelo Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (NCAP) do MPGO o 2º sargento Márcio Junqueira da Silva, os cabos Gabriel Vinícius Lourenço Freitas e Celimar dos Santos Ferreira e os soldados Guilherme Carrijo Alvarenga, Lúcio Monsef Ferreira e Iago Henrique Costa Silva.
Márcio da Silva, Gabriel Freitas, Guilherme Alvarenga e Lúcio Ferreira foram denunciados por sequestro ou cárcere privado e extorsão, tortura confissão e associação criminosa com causa de aumento de pena. Já os réus Celimar Ferreira e Iago Henrique Silva foram denunciados por estes crimes e também por tráfico de drogas, inovação artificiosa, e falsidade ideológica e falso testemunho ou falsa perícia. De acordo com a Polícia Militar, foram adotadas as providências cabíveis, e a corporação colabora com a Justiça e acompanha a tramitação processual do caso. A PM reitera que “não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta e está à disposição da Justiça”.
O caso
De acordo com o MP-GO, o pedido de prisão teve como base o depoimento da vítima. Segundo ela, no dia 7 de janeiro deste ano, por volta das 20h, conduzia seu carro, acompanhada por seu companheiro e um casal de amigos, com filho pequeno, quando houve a abordagem. Conforme o relato, durante o deslocamento, nas imediações de um supermercado, o automóvel em que ela estava foi abordado por um carro descaracterizado, de cor branca, cujos ocupantes desembarcaram e se identificaram como policiais militares.
A vítima informou que, posteriormente, chegou no local um outro veículo, também descaracterizado e ocupado por outros homens. Eles igualmente se identificaram como policiais militares, não estando nenhum deles fardados. Em seguida, a mulher declarou que, durante a abordagem, os policiais exigiram a entrega de uma quantia em dinheiro (R$ 50 mil) e uma determinada quantidade de crack. Quando ela respondeu que não possuía esses itens, os policiais, mesmo sem nenhum indício da existência de crime, a retiveram e a levaram, com todos os demais ocupantes do carro, a um posto de combustível.
A mulher foi conduzida na “gaiola” da viatura caracterizada, pelos policiais Celimar Ferreira e Iago Silva. Os demais foram levados nas viaturas descaracterizadas e o veículo da vítima foi conduzido por um dos policiais militares sem farda e deixado na área do posto. Na sequência, a vítima afirmou que todos foram levados para uma área isolada no Bairro Boa Vista, onde os veículos entraram em uma estrada de terra e se dirigiram até uma área de mata fechada. Lá, a vítima contou que foi separada do grupo, agredida e torturada, e que as agressões só terminaram quando ela prometeu aos policiais que entregaria a eles determinada quantidade de cigarros que teria em casa.
Ainda segundo o relato da vítima, chegando ao local indicado, dois dos policiais invadiram o imóvel e começaram a fazer buscas no local, sem que tivessem qualquer decisão judicial que os autorizassem. No entanto, nada foi encontrado. Após algumas voltas, a vítima e o casal de amigos foram libertados. Ao MPGO, a vítima detalhou ainda que o companheiro dela permaneceu retido na viatura e que o levaram até o estacionamento de um estabelecimento comercial, onde os PMs teriam forjado um flagrante. O homem foi conduzido à Central de Flagrantes, sob o pretexto de que ele teria sido preso por tráfico de drogas.
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