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O prestígio de Iris levou Goiás a uma inédita relevância política nacional
15 de março de 1983: Há 40 anos Iris chegava ao governo
15/03/2023, às 13:24 · Por Eduardo Horacio
Ao anunciar o encerramento de uma carreira política com
mandatos que percorreram mais de seis décadas e em meio a muitas (e justas)
homenagens, o ex-governador Iris Rezende refletiu algumas vezes sobre sua
trajetória política. Iris dizia que seu maior desafio havia sido em 1965, no
seu primeiro mandato de prefeito de Goiânia. Ele voltaria a comandar a capital
por mais três ocasiões, sempre em sinergia com a cidade que o acolheu ainda
jovem, aos 15 anos.
A trajetória de Iris Rezende, porém, é tão fora da curva que
outro momento merece um olhar mais atento. Há exatos 40 anos, em 15 de março de
1983, ele assumia pela primeira vez os destinos de Goiás. Nos três anos
seguintes (incompletos), Iris transformou o Estado. E aqui o termo
‘transformação’ não é um exagero ou mera retórica. Ainda hoje as marcas do
governo Iris estão por todos os cantos de Goiás.
Mas não dá para falar do Iris governador sem lembrar o Iris
prefeito. Como ele sempre gostava de dizer: “foi Goiânia quem me projetou para
Goiás”. No encerramento de uma gestão com alta popularidade e, por isso, cotado
para disputar a eleição estadual, “com o nome na rua”, novamente nas palavras
dele, Iris teve o mandato cassado em 20 de outubro de 1969.
Até o dia em que foi empossado governador de Goiás, naquele
15 de março de 1983, passaram-se 13 anos, 4 meses e 25 dias. Quantos políticos
resistiriam tantos anos no ostracismo? Verdade que aquela campanha, uma
verdadeira saga, teve o pontapé inicial em agosto de 1979, com a Lei da Anistia
– que devolveu direitos políticos aos opositores da ditadura militar
(1964-1985).
Mas o que o primeiro mandato de Iris no governo de Goiás
teve de tão extraordinário? Primeiro, e talvez o mais emblemático, havia uma
esperança renovada com a volta das eleições diretas para governador e a
perspectiva no horizonte de que o País retomasse, enfim, o caminho democrático.
O compromisso de Iris com o povo, que lhe deu uma vitória
consagradora nas urnas (2/3 dos votos válidos), era proporcional à expectativa
nele depositada. E Iris não decepcionou.
Entre 1983 e 1986, Iris ergueu as bases de um Goiás moderno
e urbano. Para isso, pavimentou 4,3 mil quilômetros de rodovias, ergueu
milhares de casas populares (mil delas em um só dia, todos sabem) e salas de
aulas, levou água tratada e energia elétrica a um Estado de fronteiras
gigantes, afinal “Tocantins era Goiás”, lembrava ele. Com o Fomentar, atraiu
indústrias e gerou milhares empregos, fez a economia girar e fez Goiás, enfim,
crescer. Lembrando: tudo isso em menos de três anos.
Mais uma vez o político habilidoso – que construiu uma
candidatura deixando para trás Mauro Borges, ex-governador e filho de Pedro
Ludovico; e Henrique Santillo, então senador da República – mostrava-se
novamente um gestor vocacionado, com grande capacidade de decisão e intuição
muito afiada.
O prestígio de Iris levou Goiás a uma inédita relevância política nacional. A pedido de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, líderes do MDB em campanha por eleições diretas para presidência da República, Iris organizou em Goiânia o primeiro grande comício das Diretas Já, em abril de 1984. Naquela altura, Iris já era o mais popular entre todos os governadores eleitos em 1982.
Pelo menos 300 mil pessoas se aglomeraram na Praça Cívica
numa demonstração de força política jamais vista em Goiás. Meses depois,
repetiu o megacomício para legitimar a eleição de Tancredo Neves no Colégio
Eleitoral, após a emenda constitucional que previa o retorno das eleições
diretas ser rejeitada pelo Congresso Nacional.
As realizações do governo e a grande demonstração de força
na busca pela redemocratização do País levaram Iris definitivamente ao cenário
político nacional. Em fevereiro de 1986, ele aceitou o convite do presidente
José Sarney para se tornar ministro da Agricultura, renunciando ao último ano
de mandato. Iris sabia que já havia feito história e que o momento era de alçar
novos voos.
Iris Rezende Memória 1983 Eleições 1982