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Hermes Júnior de Oliveira foi morto após carro ser baleado por policiais penais, em Aparecida de Goiânia, Goiás

Família quer recorrer de arquivamento de inquérito contra policiais penais por matar jovem

21/03/2023, às 09:19 · Por Redação

A família de Hermes Junio de Oliveira, morto aos 26 anos durante uma abordagem feita por policiais penais em Aparecida de Goiânia, entrou com uma petição na Justiça contestando o pedido de arquivamento do processo feito pelo Ministério Público do Estado e Goiás (MP-GO) e requisitando um novo promotor para o caso. A informação é do jornal O Popular.

O parecer do promotor Marco Marcolino dos Santos Júnior, da 5ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia, contraria o entendimento da Polícia Civil, cujo inquérito concluiu pelo indiciamento de três agentes por homicídio e de quatro por fraude processual.

No pedido de arquivamento ele diz que os policiais penais agiram de modo correto durante a abordagem, tinham autonomia para fazê-la, que havia, sim, motivos para os disparos efetuados e que não houve intenção de matar o jovem, mas apenas “falta de habilidade técnica” por parte do policial cujo disparo atingiu Hermes.

Para os advogados Emanuel Rodrigues e Thiago Lopes da Cruz, que representam o pai de Hermes no processo, a manifestação do MP-GO foi equivocada por levar em conta apenas a versão apresentada pelos policiais penais e não a das testemunhas que estavam junto com Hermes e as provas levantadas pela Polícia Técnico Científica. “O pedido de arquivamento por parte do representante ministerial (é) até mesmo um desrespeito e ausência de confiança no trabalho dos órgãos de persecução penal.”

No dia 22 de novembro, uma terça-feira, por volta das 22 horas, Hermes Júnior de Oliveira estava com os pais em um Fiat Siena e foi surpreendido por um carro em alta velocidade logo ao sair de um galpão de reciclagem. De acordo com o relato dos familiares da vítima, o veículo surgiu com luz alta, e os ocupantes desceram atirando contra o automóvel, sem se identificarem.

Já os policiais penais Florisvaldo Ferreira da Silva Costa, Alisson Marcos, Alan de Moraes Amaral e Osmar Pedro de Oliveira Júnior alegaram em depoimento que estavam atrás de um veículo no qual se estaria coordenando um drone para entrar com produtos ilegais no presídio e encontraram o carro em que estava Hermes e familiares. Também afirmaram que na abordagem o motorista se evadiu e por isso teriam atirado em direção aos pneus.

No inquérito policial entregue à Justiça, o delegado Rogério Bicalho, do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia, indiciou os três policiais penais que efetuaram disparos por não terem seguido os procedimentos corretos. Para o delegado, não havia motivos para os disparos.

Ainda segundo Rogério, os policiais não tinham intenção de matar Hermes, mas os três tiros disparados atingiram os vidros do carro e um deles, a cabeça de Hermes, o que pela forma como se deu configuraria dolo eventual. “Eles assumiram o risco de produzir (o fato que culminou com a morte do jovem).”


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