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Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Os dois nomes (de Lauro e Dermeval) haviam sido aprovados na Comissão de Constituição e Justiça no final de maio, o que aumentou a surpresa do resultado de hoje
Por ser pró-Dallagnol, goiano Lauro Machado tem indicação para o CNMP rejeitada pelo Senado
19/09/2019, às 00:20 · Por Eduardo Horacio
Em decisão surpreendente, o Plenário do Senado rejeitou
nesta quarta-feira, 18 de setembro, a recondução dos procuradores Lauro
Nogueira Machado (do MP-GO) e Dermeval Farias Gomes (MP-DF) para o
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
O goiano Lauro Nogueira Machado havia sido indicado pelo
Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da
União (CNPG), do qual já foi presidente. Nesta quarta, obteve no plenário 36
votos contra, 24 a favor e uma abstenção. A votação foi secreta.
Já Dermeval obteve 33 votos contrários e 15 favoráveis.
Promotor de Justiça, seria reconduzido na vaga destinada a membros do
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), referente ao
biênio 2019/2021.
Bastidores
Um bastidor importante é que tanto Lauro Machado quanto Dermeval votaram contra
representações movidas por parlamentares no CNMP e ambos, igualmente,
rejeitaram em abril a abertura de processo administrativo disciplinar contra
Deltan Dallagnol.
O CNMP já rejeitou três procedimentos contra Deltan só em 2019: em 23 de abril, em 27 de agosto e em 10 de setembro. Lauro Nogueira votou a favor do procurador nas três ocasiões. O procurador da República em Curitiba tinha afirmado que ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal formavam uma panelinha e mandavam uma mensagem “muito forte de leniência a favor da corrupção”.
A recondução de Marcelo Weitzel Rabello de Souza também seria
provavelmente rejeitada nesta quarta, mas o presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (DEM-AP), encerrou a sessão depois que alguns senadores
passaram a obstruir a votação.
Os dois nomes (de Lauro e Dermeval) haviam sido aprovados na Comissão de
Constituição e Justiça no final de maio, o que aumentou a surpresa do resultado
desta quarta-feira. O CNMP é composto por 14 conselheiros, que são indicados por suas
instituições de origem e precisam também da aprovação do Senado e da
Presidência da República para assumir o cargo, para uma gestão de dois
anos.
Os atuais integrantes podem ser reconduzidos aos cargos por
mais um mandato. O presidente do conselho é o procurador-geral da República.
“Retaliação”
A rejeição foi criticada duramente pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Segundo
ele, “o que acabou de acontecer com o Lauro Nogueira Machado, é lamentável e
uma retaliação indevida, que lembra os piores momentos desta Casa. Esta Casa
viveu momentos tristes em sua história. Sinceramente, eu espero que esses
momentos tristes não estejam sendo recapitulados. Sem razão nenhuma, este
Plenário se utiliza de retaliação a um membro do Ministério Público
simplesmente porque alguns membros desta Casa não concordam com ele. Isso é um
absurdo!”.
Formado em Direito, Lauro Machado tem especialização em
processo penal e ingressou no Ministério Público do Estado de Goiás em 1993.
Exerceu os cargos de promotor corregedor da Corregedoria Geral do MP nos anos
de 2001 e 2002; coordenador das Promotorias Eleitorais da Capital entre 2003 e
2005; chefe de gabinete da Procuradoria Geral de Justiça em 2012; e
procurador-geral de Justiça do Estado de Goiás por dois mandatos consecutivos,
entre 2013 e 2017.
Além da presidência do CNPG, Lauro Nogueira foi tesoureiro
da Associação Goiana do Ministério Público (AGMP), entidade que também presidiu
em duas ocasiões. Entre 2010 e 2012, exerceu a função de vice-presidente da
Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp). Durante a
sabatina realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 29 de
maio, onde foi aprovado, Lauro agradeceu a confiança e o apoio pela
indicação para representar os Ministérios Públicos mais uma vez. Na sabatina os
senadores ainda solicitaram o posicionamento do indicado sobre temas como abuso
de autoridade e Lista Tríplice. Lauro Nogueira defendeu a aprovação do projeto
de abuso de autoridade, que já passou pelo Senado. “Só tem temor aquele que
abusa. A regulação do abuso de autoridade é um instrumento importante para as
instituições”, disse à época.
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