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O mesmo padre foi condenado em 2018 em processo por danos morais por crime similar
Padre que difamou médico por aborto legal é condenado a pagar R$ 10 mil
06/04/2023, às 11:01 · Por Redação
O padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, da Diocese de Anápolis, foi
condenado a indenizar por danos morais um médico que realizou um aborto legal
em 2020. Com a decisão, que cabe recurso, o sacerdote terá de pagar uma
indenização de R$ 10 mil ao profissional. O caso teve ampla repercussão, porque
porque a criança de 10 anos engravidou após ser estuprada pelo seu tio.
Nessa ocasião, o padre chamou o médico de “assassino”. A
gestação da criança foi interrompida após autorização da Justiça. É importante
lembrar que no Brasil o aborto é legalizado em três casos: quando a gravidez
acontece por meio de estupro (caso da criança), quando há risco de vida para a
mãe e quando o feto é anencéfalo (não possui cérebro).
No texto escrito pelo padre, que foi o que motivou a ação
movida pelo médico, ele descreve detalhes do abuso sexual sofrido pela menina e
também do aborto. Ele publicou o post na página do Facebook da Associação
Pró-Vida, da qual ele é presidente.
Histórico
Esse mesmo padre foi condenado em 2018 em processo por danos
morais por crime similar. O processo transitou em julgado (sem mais
possibilidade de recurso) 15 anos após o ocorrido. Em 2005, mulher conseguiu na
Justiça autorização para abortar porque bebê tinha uma síndrome que o impedia
de ter vida fora do útero.
O processo consistia em tomar, durante quatro dias,
medicamentos controlados para induzir o parto. Enquanto tomava esses
medicamentos para abortar, o padre conseguiu outra decisão da justiça, que
interrompeu o procedimento e a obrigou a deixar o hospital. Após oito dias, o
bebê nasceu e morreu menos de duas horas depois.
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