Matérias
Divulgação
Ex-presidente Jair Bolsonaro se posicionou dezenas de vezes acerca da vacinação. Na foto, Bolsonaro realiza motociata em Goiânia
Fraude em cartão de vacina de Bolsonaro começou em Goiás
03/05/2023, às 09:43 · Por Redação
O esquema de falsificação de cartões de vacinação que foi
alvo da operação da Polícia Federal nesta manhã e forneceu registros
fraudulentos ao ex-presidente Jair Bolsonaro e sua filha, Laura, começou em Goiás
com o preenchimento de um cartão de vacinação comum, em papel. A informação é
do Globo.
Bolsonaro e mais seis auxiliares, entre eles o ex-ajudante de ordens Mauro Cid,
foram alvo da Operação Venire, deflagrada pela Polícia Federal (PF), como parte
do inquérito sobre as milícias digitais.
Primeiro, um médico da prefeitura da cidade de Cabeceiras
ligado ao bolsonarismo preencheu o cartão de vacinação contra a Covid-19 para
Bolsonaro, Laura, o ajudante de ordens do ex-presidente, Mauro Cid, e sua
mulher.
Com o cartão em papel, o grupo então tentou registrá-lo no
sistema eletrônico do SUS no município fluminense de Duque de Caxias, para que
ele pudesse ser considerado oficial e valer, por exemplo, em viagens
internacionais.
Segundo informações da Polícia Federal, a falsificação foi feita para que o
então presidente e sua filha pudessem entrar nos Estados Unidos sem restrições.
A então primeira-dama, Michelle, se vacinou nos Estados Unidos em setembro de
2021.
No entanto, como o
lote de vacinas informado tinha sido enviado para Goiás e não para o Rio de
Janeiro, o sistema rejeitou as informações.
Aí começou uma troca
de mensagens entre Mauro Cid e seus ajudantes que acabaria flagrada na operação
desencadeada hoje. Por essas mensagens, a Polícia Federal apurou que foi
preciso conseguir um outro número de lotes de vacinas, este do Rio, para fazer
o registro.
Depois que o cartão de vacinação foi registrado e se tornou
oficial, o grupo baixou os arquivos, imprimiu os cartões e os apagou do
sistema. Assim, quem procurasse os registros de vacinação do grupo no sistema
eletrônico não encontraria.
Só mesmo depois de ter acesso às mensagens de Cid e fazer uma perícia no
sistema é que a Policia Federal descobriu a adulteração. Até então, não se
sabia que Jair Bolsonaro e sua filha também haviam registrado cartões falsos.
Além de ter realizado busca e apreensão na casa de Jair
Bolsonaro nesta sexta, a PF prendeu outras seis pessoas envolvidas na fraude.
Entre os detidos em Brasília, estão os ex-funcionários Mauro Cid, Max Guilherme
e Sérgio Cordeiro. Outro assessor, Marcelo Câmara, é alvo de busca e apreensão.
Todos os citados foram com o ex-presidente em seu autoexílio de três meses em
Orlando, na Flórida.
O deputado federal
Gutemberg Reis (MDB-RJ), irmão do ex-prefeito de Caxias, Washington Reis, e o
vereador pelo Rio Marcelo Siciliano (PP-RJ).
Cid tem um histórico de relacionamento com o ex-presidente que vem de família.
Ajudante de ordens de Bolsonaro durante o seu governo, Mauro Cid é filho do
general Mauro Cesar Lourena Cid, que foi colega do ex-presidente no curso de
formação de oficiais do Exército. Desde esse período, Bolsonaro mantém uma
amizade com Lourena Cid.
Vacina Jair Bolsonaro PL PF