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Governador Ronaldo Caiado, com os governadores Cláudio Castro (RJ), Eduardo Leite (RS) e Romeu Zema (MG), reúne-se com o ministro da Fazenda Fernando Haddad para pedir mudanças no plano do RRF
Caiado e ministro da Fazenda discutem adequações no RRF
25/05/2023, às 18:15 · Por Redação
O governador Ronaldo Caiado se reuniu com o Ministro da Fazenda,
Fernando Haddad, nesta quarta-feira (24/05), em Brasília, para solicitar alterações
em metas fiscais e metodologia de cálculo de pontos do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O encontro também
contou com a presença dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de
Minas Gerais, Romeu Zema e do Rio de Janeiro, Claúdio Castro.
A reunião foi motivada pelas dificuldades que os estados
brasileiros vêm enfrentando em razão da perda de arrecadação do ICMS, devido a
medida do governo federal aprovada no ano passado, e o aumento de gastos com
pessoal decorrentes da implantação do piso nacional da educação e enfermagem,
dentre outras novas obrigações que comprometem o caixa das unidades federativas.
Em Goiás, o RRF está em vigor desde 1º de janeiro de 2022 e
resultou na suspensão da dívida estadual com a União por 18 meses e na adesão a
um teto de gastos.
“Nós fomos vitimados por decisões no âmbito federal que
mudaram a estrutura de arrecadação dos estados. O ministro (Haddad) foi
extremamente receptivo, sentindo nossa realidade. Não estamos descumprindo
nenhuma norma prevista no RRF, nem repassando o problema para a União, estamos
pedindo uma revisão de pontos do plano para adequá-lo à realidade atual”,
ponderou Caiado.
O Estado de Goiás adotou todas as medidas de ajuste fiscal e
cumpriu todos os compromissos do Regime, mas foi fortemente impactado pela
legislação federal. A redução das alíquotas do ICMS dos combustíveis, energia e
telecomunicação, impostas no ano passado, deve gerar somente em 2023 uma queda
de arrecadação ao tesouro estadual de R$ 5,5 bilhões.
“Isso significa 39% da arrecadação com esses itens. A nossa
projeção estava sendo mantida, nós estávamos numa trajetória para sairmos do
RRF, mas fomos duramente penalizados”, lembrou o governador.
Ministro da Fazenda
Outro pedido apresentado por Caiado foi de retirar do teto
gastos recursos do fundo de combate à pobreza, para não afetar as políticas
sociais.
“Apresentamos uma série de medidas que entendemos que, ao
serem cumpridas, vão ajudar os estados com seus compromissos”, afirmou Eduardo
Leite ao comentar as demandas, como alteração no teto de gastos.
Cláudio Castro ressaltou que as propostas entregues a Haddad
representam demandas comuns. “O governo tomou decisões que impactaram na nossa
relação fiscal, o que tornou todos os planos inviáveis. Nosso pleito é coletivo
e não individual", disse.
Zema complementou falando que “cada estado possui suas
características” e que caso as mudanças propostas sejam aceitas, facilitará
também para Minas Gerais, que deve aderir ao RRF em breve.
“A Secretaria do Tesouro Nacional estará avaliando esses
pleitos nossos e queremos uma simplificação, as regras são complexas”, destacou.
A expectativa é de que em junho os governadores tenham uma resposta do
Ministério da Fazenda.
Sobre o RRF
O Regime de Recuperação Fiscal (RRF), aprovado pela Lei
Complementar 159/2017, foi criado para auxiliar os Estados e o Distrito
Federal, que, eventualmente, se defrontem com grave desequilíbrio fiscal. Para
o ajuste de suas contas, o regime proposto pelo governo federal permite o
refinanciamento de dívidas de governos locais em troca de um plano de corte de
gastos.
O estado que deseja aderir ao RRF precisa elaborar um Plano
de Recuperação Fiscal, após aprovação do pedido de adesão pela Secretaria do
Tesouro Nacional. Durante a vigência do regime, deve ser respeitado ainda um
conjunto de vedações que visam restringir a expansão das despesas e a concessão
de benefícios fiscais.
O pedido de adesão do estado de Goiás ao RRF foi realizado
em agosto de 2021 e deferido pela Secretaria do Tesouro Nacional em setembro do
mesmo ano. O Plano de Recuperação Fiscal elaborado pela atual gestão,
protocolado e oficializado em 24 de dezembro de 2021.
Fernando Haddad ICMS Arrecadação