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Depois de um despejo em março, cerca de 600 famílias retornam à Fazenda São Lukas, atualmente patrimônio da União
MST ocupa fazenda em Goiás e reivindica assentamento para famílias acampadas
26/07/2023, às 12:58 · Por Redação
Cerca de 600 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam novamente a fazenda São Lukas, localizada no município de Hidrolândia (GO), nesta segunda-feira (24). As famílias estão reivindicando que a área, que possui 678.588 m², seja destinada a um assentamento da reforma agrária. Além disso, o MST cobra a regularização da situação de aproximadamente três mil famílias acampadas em Goiás.
Essa não é a primeira vez que o MST ocupa o latifúndio. A primeira ocupação ocorreu em 25 de março deste ano, como parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra. O motivo de escolherem essa área foi porque já havia sido palco de um esquema de exploração sexual e tráfico de pessoas. Esse esquema durou cerca de três anos, tendo como principais vítimas mulheres pobres das cidades de Anápolis, Goiânia e Trindade.
De acordo com a Polícia Federal, a propriedade pertencia a um grupo criminoso composto por 18 pessoas que, em 2009, foram condenadas por aprisionar dezenas de mulheres e adolescentes que eram traficadas para a Suíça. Desde então, o terreno passou a integrar o patrimônio da União.
A ocupação ocorre em meio a um cenário de aumento nos crimes sexuais contra crianças e adolescentes. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou que houve um aumento de 15% desses crimes entre 2021 e 2022.
O MST defende que a terra não deve ser usada para exploração, seja humana ou ambiental. A direção estadual do MST de Goiás enfatiza que a fazenda São Lukas deve ser destinada para fins de reforma agrária, onde será possível produzir alimentos e garantir alimentação às pessoas que sofrem com a fome.
A luta pela reforma agrária em Goiás é intensa, e o MST relata que há mais de 10 anos não há conquistas de áreas para as famílias sem-terra, tanto da União quanto de desapropriação.
No fim de maio, o governo federal manifestou interesse em destinar a área da fazenda São Lukas à reforma agrária, assinando o Termo de Transferência de Domínio Pleno de Imóvel rural. A propriedade passou do controle da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O MST afirma que não pretende se retirar da área ocupada e ressalta que irá resistir a qualquer tentativa de violência contra as famílias, mesmo com a posição do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que é um dos principais representantes do setor ruralista no país.
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