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No ano passado, estado foi o segundo estado com a maior proporção do País

Mortes decorrentes de intervenções policiais dobram em Goiás nos últimos anos

26/07/2023, às 13:02 · Por Redação

A proporção de mortes decorrentes de intervenções policiais em relação às Mortes Violentas Intencionais (MVIs) dobrou em Goiás entre 2018, ano anterior ao início da gestão de Ronaldo Caiado (União Brasil), e 2022, quando o primeiro mandato do governador foi encerrado. O índice saltou de 15,8% para 30,2%. No ano passado, Goiás ficou em segundo lugar no ranking dos estados brasileiros com a maior proporção desse tipo de morte, perdendo apenas para o Amapá (32,9%). Nesse período, as mortes decorrentes de intervenções policiais cresceram de forma constante em Goiás.

Durante o primeiro mandato de Caiado, o estado registrou um total de 2,2 mil mortes violentas, número duas vezes maior do que os quatro anos anteriores. Em 2022, Goiás ocupou a quarta posição em números absolutos e a sexta posição quando considerada a taxa de mortes por 100 mil habitantes decorrentes de intervenções policiais.

Apesar do quantitativo ter apresentado uma redução de 5,8% entre 2021 e 2022, uma queda superior à média nacional de -1,5%, é importante ressaltar que a redução das MVIs é multifatorial. Alan Kardec Cabral, advogado criminalista e autor do livro ‘Violência estatal: o arquivamento dos inquéritos nas mortes por intervenção policial’, aponta que a diminuição das mortes pode ter sido influenciada por ações exitosas, como o isolamento das lideranças criminosas dentro dos presídios, mas também pelo acordo entre facções criminosas para reduzir essas mortes, não sendo uma exclusividade de Goiás.

Em 2022, a maioria das vítimas de mortes decorrentes de intervenções policiais no Brasil era composta por indivíduos negros (83,1%), homens (99,2%) e com idade entre 12 e 29 anos (75%). A grande maioria dessas mortes ocorreu por meio de ação com arma de fogo e em vias públicas (68,1%).

A Polícia Militar foi a corporação responsável pelo policiamento ostensivo e preservação da ordem pública em Goiás. Embora as informações relativas às mortes decorrentes de intervenções policiais estratificadas por corporações em 2022 não tenham sido divulgadas, em 2021, a Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) foi responsável por 99% dessas mortes. Desde o início de sua gestão, Caiado adotou uma postura de proteção e exaltação às forças policiais goianas, especialmente a PM-GO.

Em maio de 2022, após a prisão do coronel Benito Franco, ex-comandante da Rotam, na Operação Lesa Pátria da Polícia Federal, a Secretaria de Estado de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) criou procedimentos diferenciados para casos de prisão de servidores da pasta, com proibição de divulgação e exigência de acompanhamento da Corregedoria, dentre outras medidas. Cabral considera que o Poder Executivo adota uma conduta permissiva que faz com que os policiais se sintam autorizados a agir com truculência. Em junho de 2022, o tenente-coronel da PM-GO, Edson Melo, declarou que a "polícia deve matar mais" durante o programa TBC debate, gerando controvérsia. Na ocasião, o governo estadual informou que o militar "emitiu opinião pessoal".


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