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Goiânia, 04/04/25
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A única informação em comum entre a assessoria do governo e a revista Veja é que a médica responsável pelo caso é Ludhmila Hajjar

Assessoria do governo dá versão bem diferente da Veja sobre o estado de saúde de Caiado

10/10/2019, às 00:59 · Por Eduardo Horacio

A assessoria do governador Ronaldo Caiado (DEM) afirma que, após passar por uma série de exames na tarde de quarta-feira, 9, no Hospital do Coração, em Goiânia, o diagnóstico de enfarte foi “completamente descartado”.

O secretário de saúde, Ismael Alexandrino, disse na noite de quarta-feira que está confirmado que Caiado teve uma “dor epigástrica”, relaciona ao estômago, não tendo nenhuma relação com o coração. “O governador teve uma dor epigástrica, na região do estômago, sentiu-se mal-estar e achou prudente ir ao hospital, o que é atitude correta. A previsão é que ele fique no hospital e passe por outros exames de rotina, para não ir para casa com qualquer desconforto ou preocupação para ele e a família”, disse o secretário em entrevista.

Ismael ainda destacou que não foi necessário realizar angioplastia, que é um procedimento obrigatório quando uma pessoa sofre um infarto. Já a revista Veja, em nota publicada às 21h29 desta quarta-feira, após a entrevista de Ismael, voltou a afirmar que Caiado tem sim uma “obstrução de cerca de 70% na artéria descendente anterior, uma ramificação da artéria coronária”, não falando de nenhum problema epigástrico. Mais cedo, às 15h10, a mesma Veja cravou em seu site que Caiado tinha “sofrido um infarto”.

O Hospital do Coração, em Goiânia, soltou "nota oficial" assinada por três médicos que diz que os "exames laboratoriais e de imagem descartam a hipótese de infarto agudo do miocárdio", mas também não diz o que Caiado tem ou teve. Nem cita qualquer diagnóstico. Apenas diz que ele "foi admitido hoje no Hospital com quadro de mal-estar inespecífico". 

Diferente de Ismael (e de toda assessoria do governo), que afirma que Caiado não passará por uma angioplastia, a revista Veja diz que Caiado está sendo transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, justamente para passar por uma angioplastia (colocação de stent). A revista diz também, em duas matérias diferentes, que Caiado já tinha uma placa obstruindo parcialmente essa artéria (cerca de 60%) e que o “tratamento era feito com estatinas”. Estatinas são remédios comumente usados para doenças do coração e para baixar o colesterol.

A única informação em comum entre a assessoria do governo e a revista Veja é que a médica responsável pelo caso é Ludhmila Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP, e que acompanha Caiado há dez anos. 


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