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Lula Marques - Agência Brasil
Órgão de combate à lavagem de dinheiro, o Coaf identificou uma transferência de R$ 20.520 do ourives Heitor Garcia Cunha, proprietário de uma barraca de eletrônicos no Camelódromo OK, ao tenente-coronel de transferência Mauro Cid
Coaf identifica transação financeira de joalheiro de Goiânia com tenente-coronel Mauro Cid
22/08/2023, às 17:49 · Por Redação
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entidade voltada para o combate à lavagem de dinheiro, identificou uma transação financeira que envolve um ourives de Goiânia e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O episódio lançou luz sobre uma transferência no valor de R$ 20.520, realizada em parcela única durante o ano de 2022, embora a data exata não tenha sido indicada.
O responsável pelo depósito é o ourives Heitor Garcia Cunha, que possui uma barraca no Camelódromo OK, em Goiânia, onde comercializa aparelhos eletrônicos, além de trabalhar também como joalheiro na capital goiana. Em declaração ao jornal O Globo, Cunha alegou desconhecer o tenente-coronel Cid e aventou a possibilidade de alguém ter solicitado que ele realizasse o repasse de dinheiro em nome do militar.
"Eu nem conheço essa pessoa. Pode ser que, em algum negócio que eu tenha feito, me passaram os dados dele para eu fazer o depósito. (...) Ontem, eu vi o nome da pessoa na imprensa e relacionei ao depósito", afirmou o ourives, acrescentando que se viu envolvido na situação sem ter esperado. Quando questionado sobre os detalhes desse possível negócio, ele admitiu não ter lembranças claras. "Eu sou um comerciante. É movimentação normal minha. Sou joalheiro também", completou.
A defesa de Mauro Cid não se pronunciou até o momento. O tenente-coronel está sob investigação da Polícia Federal (PF) devido a suspeitas de desvio de joias e relógios que foram recebidos pela Presidência da República em viagens oficiais. Segundo a PF, o pagamento por esses objetos, que deveriam compor o acervo da União, teria contribuído para o "enriquecimento ilícito" do grupo investigado.
Além desse caso, Mauro Cid está detido preventivamente desde maio em relação a outro inquérito que o investiga por supostas fraudes relacionadas aos cartões de vacinação dele, de Bolsonaro e de suas respectivas famílias. A quebra de sigilo de Heitor Garcia Cunha foi solicitada pela CPMI de 8 de janeiro, que recebeu os relatórios de inteligência financeira envolvendo Cunha e Mauro Cid.
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