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Paciente chegou a reclamar na recepção da unidade, mas não obteve resposta

Ciams de Goiânia teria conhecimento de má conduta de ginecologista preso por abusos

04/09/2023, às 12:00 · Por Redação

Depoimentos de servidores do Centro Integrado de Atenção Médico Sanitária (Ciams) Novo Horizonte, em Goiânia, e de pelo menos quatro pacientes à Polícia Civil mostram que já havia críticas e suspeitas dentro do posto de saúde contra o ginecologista Fábio Guilherme da Silveira Campos, de 73 anos, antes de vir à tona o caso de violência sexual que o levou à prisão em 20 de julho.

O médico foi inicialmente acusado de ter estuprado uma gestante de 35 semanas durante um atendimento no dia 27 de junho, mas depois mais 15 mulheres o denunciaram por uma série de abusos.

A delegada Amanda Menuci, adjunta da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), encaminhou um segundo inquérito à Justiça contra o médico, indiciando-o novamente por estupro de vulnerável. Esta nova acusação se refere a uma consulta feita por Fábio Guilherme no final de 2014 no Ciams, poucos meses após ter iniciado o atendimento no local.

Segundo o jornal O Popular,  os relatos apontam que por diversas vezes o comportamento do médico foi relatado por pacientes aos servidores do posto. A vítima neste segundo inquérito, uma mulher que na época tinha 22 anos, conta que após uma consulta com o médico chegou a reclamar na recepção, por duas vezes chamando-o de “tarado”, mas que não obteve nenhuma resposta dos funcionários.

Ela estava em sua primeira gestação e, segundo o relato, o acusado a tocou intimamente fora do padrão de exames. A vítima afirma que só tomou coragem de denunciá-lo após vê-lo preso.

Esta nova vítima – uma das 16 que procuraram a delegacia a partir de julho – conta que voltou ao Ciams Novo Horizonte para um atendimento em 2022. Quando soube que seria encaminhada para o mesmo médico, se assustou e reclamou na recepção, chamando-o novamente de tarado e perguntando se não foi tomada nenhuma providência contra ele, sem ter uma resposta da pessoa que a atendeu. Ela desistiu da consulta com um ginecologista no local.

Há também outra paciente, que teria sido atendida ainda em 2015 e que estranhou a postura do médico, por ficar lhe tocando o corpo durante a consulta, e que comentou com uma técnica em enfermagem do local, conhecida dela, e que a mesma comentou ser de conhecimento dos colegas denúncias e comentários contra o médico, mas que nada foi feito até então por falta de denúncias formais junto ao conselho médico ou à secretaria.

Junto ao inquérito foi incluído o relato de outra paciente que, após uma consulta com Fábio Guilherme no Ciams neste ano no qual diz ter ficado indignada com os comentários e suspeitado da necessidade e da forma como foram feitos alguns exames, foi seguida pelo profissional até o consultório ao lado onde ela deu encaminhamento a exames pedidos por ele. A mulher disse que essa atitude dele não é comum e que acredita ter sido para se certificar de que ela não falaria nada a ninguém.

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