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Reprodução - G1 Goiás

Policiais militares teriam agredido o homem após confundirem apartamento durante atendimento a chamado de violência doméstica

Gerente comercial denuncia agressão por PMs após invasão a apartamento errado em Goiânia

22/09/2023, às 17:07 · Por Redação

O gerente comercial Daniel da Silva Duarte, de 38 anos, relata ter sido agredido por policiais militares em Goiânia, após uma confusão durante o atendimento a um chamado de violência doméstica. O incidente aconteceu no Setor Eldorado, quando os PMs teriam invadido seu apartamento por engano, resultando em uma série de agressões que foram registradas em vídeo. Segundo o relato de Daniel ao portal G1 Goiás, os eventos desencadearam na terça-feira, 19, por volta das 22h20.

Ele explicou que, na ocasião, a porta de seu apartamento estava entreaberta porque ele tinha acabado de chegar, quando um policial militar, com a pistola em punho, forçou a entrada e questionou o que estava acontecendo. "Ela estava aberta cerca de dez centímetros, e quando fui fechar, foi quando eles a empurraram com violência", descreveu Daniel. A situação se tornou ainda mais confusa quando, durante a abordagem, outro policial informou que eles haviam entrado no apartamento errado e que a ocorrência de violência doméstica não era naquele local, referindo-se ao apartamento de Daniel. "Nesse momento, fiquei apenas devolvendo a pergunta, porque eu não sabia o que estava acontecendo. Os ânimos foram se exaltando", detalhou Daniel.

Daniel também alega que, ao questionar o policial sobre como ele tinha entrado no apartamento errado, foi brutalmente espancado com socos no rosto. A agressão teria ocorrido na presença das três filhas dele, com idades de 3, 6 e 11 anos, além de sua companheira. “Lembro de ver as três crianças no momento da agressão, e aquilo me devastou emocionalmente", lamentou o gerente comercial. Após as agressões, a Polícia Militar registrou uma versão diferente dos eventos ao elaborar o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Segundo o documento, os policiais alegaram ter sido chamados pelo porteiro do prédio, que teria conduzido a equipe até o andar onde supostamente ocorria a violência doméstica. O porteiro teria indicado o apartamento de Daniel como sendo o local da agressão.

De acordo com a versão dos policiais, ao chegarem ao andar, encontraram a porta do apartamento aberta e Daniel próximo à porta. Eles alegaram que, ao tentar pedir que o morador ficasse em silêncio para conversar com a mulher envolvida na ocorrência, Daniel teria se exaltado e usado um tom de voz agressivo.O relato dos PMs também afirmou que Daniel teria proferido palavras ofensivas contra o policial, chamando-o de 'vagabundo, despreparado, corrupto e safado'. No entanto, o documento acrescenta que, em determinado momento, o porteiro teria recebido uma ligação afirmando que a suposta agressão de violência doméstica vinha de um apartamento ao lado, e foi nesse momento que Daniel teria avançado contra os policiais.

Sobre a acusação de ter atacado os policiais, Daniel negou veementemente. "Não faz sentido eu ser agressivo na frente de três crianças, com uma pistola apontada para o meu peito", argumentou em entrevista à TV Anhanguera. Ele também afirmou que o porteiro teria comunicado repetidamente aos policiais o número correto do apartamento, sugerindo que eles foram induzidos pelo erro de sua porta estar entreaberta.

A Polícia Militar informou que a corregedoria abrirá um procedimento administrativo para investigar o incidente e que não tolera desvios de conduta por parte de seus membros. A vítima, Daniel, busca justiça e espera que os responsáveis pelas agressões sejam devidamente responsabilizados.


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