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Caiado, ao lado do secretário de segurança pública, Rodney Miranda: um assunto delicado para ser comemorado com comerciais na TV e com alarde, baseado em índices frágeis
Governo Caiado cai na armadilha de comemorar cedo os resultados da Segurança Pública
15/10/2019, às 00:20 · Por Eduardo Horacio
De volta à rotina no Palácio das Esmeraldas após tratamento
de saúde em São Paulo, o governador Ronaldo Caiado (DEM) está há quase 10 meses
à frente do governo de Goiás. Com bem menos tempo, o democrata já comemorava
resultados na área de Segurança Pública. Nos últimos dias, porém, os fatos
mostram ao governador que esse tema requer muita cautela.
A Segurança Pública é um grave problema do País. Resolver
pontualmente a segurança de uma cidade ou de um Estado não é fácil, não é razoável,
nem mesmo simples. Além disso, uma política na área demanda investimentos,
implantação de políticas específicas e avaliação de resultados. Não se alcança
tais resultados em poucos meses.
Nesta segunda-feira, 14, a imprensa nacional informa com
destaque que Goiás é o único Estado a não divulgar números referentes a mortes
em confrontos policiais. Esses dados tornaram-se sigilosos por decreto do
ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e assim permanecem na gestão de Ronaldo
Caiado.
Coincidência ou não, os dados deixaram de ser divulgados (o
que contraria a Lei de Acesso à Informação) quando os números de mortes em
ações policiais dispararam em Goiás – amplamente divulgadas. Até aqui, o
governo Caiado não demonstra intenção de tornar esses dados públicos, desrespeitando
a Lei de Acesso à Informação.
Além do desgaste de não divulgar números que deveriam ser
públicos e ao alcance de toda a população, o governo de Ronaldo Caiado também
foi surpreendido por um final de semana muito violento no Estado,
principalmente na Região Metropolitana.
Números e realidade
A falta de transparência somada a um número considerável de eventos violentos
em diversas cidades mostra ao governador Ronaldo Caiado que a Segurança Pública
é um assunto delicado para ser comemorado com comerciais na TV e com alarde,
baseado em índices frágeis, em geral meras comparações de um mês para outro.
Basta lembrar que o que Caiado faz agora nem é inédito,
longe disso. Nem na forma de agir. A chamada política repressora conhecida como
de ‘tolerância zero’ já foi muito repetida em Goiás – em que os confrontos
policiais são até incentivados pelas forças de segurança como forma de
desmantelar o crime organizado.
Caindo na cilada de tentar governar ao ritmo das redes
sociais, Caiado também se equivoca na pressa em comemorar números e ações
policiais bem sucedidas, erro que se voltou contra Marconi diversas vezes e o
obrigou a realizar sucessivas trocas no comando da Segurança para tentar se
livrar do imenso desgaste. Em vão.
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