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Adriano Roberto Linhares Camargo foi afastado do cargo no Tribunal de Justiça de Goiás após defender o fim da Polícia Militar
CNJ devolve cargo a desembargador afastado por defender o fim da PM
09/11/2023, às 15:54 · Por Redação
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o retorno ao
cargo do desembargador Adriano Roberto Linhares Camargo do cargo no Tribunal de
Justiça de Goiás após defender o fim da Polícia Militar.
A liminar foi concedida pelo ministro Luís Felipe Saolmão, e
ocorre após pedido de providências protocolado pela Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB), ainda na segunda-feira, 6.
"Não vislumbro,
nesse momento, a gravidade extrema dos fatos, tampouco a ideia de que a
permanência do magistrado investigado no cargo representar qualquer ameaça às
investigações", diz, na decisão.
Ele também marcou uma audiência de mediação para o dia 21 de novembro e avocou
o procedimento disciplinar do TJ-GO para o Conselho Nacional.
O Órgão Especial do tribunal decidiu, por 18 votos a 4, pelo
afastamento cautelar do desembargador por conta de declarações de crítica à
Polícia Militar em sessão de julgamento no dia 1º. Ele defendeu "acabar
com a PM".
Salomão afirma que a manifestação do magistrado foi realizada dentro do
contexto do julgamento de um processo criminal, no qual se discutiam os
procedimentos policiais.
"Não se pode excluir do contexto a fala do
magistrado, que, no bojo do julgamento, valeu-se de sua independência funcional
e teceu uma crítica a uma instituição, inserida dentro da sua prerrogativa
constitucional de manifestação de seu livre convencimento motivado. Ainda que
se entenda tratar-se de uma crítica infeliz ou temerária, penso que, no
contexto em que proferida, em sede de exame superficial, não se cuida de ofensa
frontal à instituição policial", diz o ministro.
O advogado Dyogo
Crosara, que atua na defesa do desembargador, disse que houve correção da
decisão do CNJ porque não havia requisito para o afastamento. "Todos os
fatos e a independência do magistrado serão analisados no processo, mas
atacamos o afastamento, que não era justificado", diz
Procurado, o TJ-GO
disse que "não comenta decisão do CNJ e sim cumpre os comandos advindos do
Conselho, o que não será diferente nesse caso".
TJ-GO Justiça CNJ,