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Foto: Natália Cruz

Sérgio Carvalho, diretor do Instituto de Informática: UFG na vanguarda tecnológica do Brasil

Primeiro curso público do Brasil de graduação em inteligência artificial é da UFG

05/11/2019, às 00:09 · Por Eduardo Horacio

A área de inteligência artificial vai ganhar seu primeiro curso público superior em 2020. A disciplina hoje é oferecida apenas em especializações e módulos de curta duração. A Universidade Federal de Goiás (UFG) levou em conta as demandas de vários setores e anuncia o início do curso para março, em período integral. A universidade deve ter um orçamento inicial de 23 milhões de reais para pesquisas na área. A expectativa é que o investimento alcance R$ 100 milhões em 7 anos.

A iniciativa da UFG acompanha um movimento global, com grandes universidades americanas, como o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e Universidade Carnegie Mellon, também abrindo graduação de bacharelado na área para 2020.

Para a primeira turma, serão ofertadas 40 vagas através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa nota do Enem. As inscrições serão abertas no começo de 2020. Na UFG, o curso terá tempo mínimo de quatro anos. Nos dois primeiros, a grade curricular prevê formação avançada em computação. Nos dois anos seguintes, as aulas se especializam em questões específicas de inteligência artificial e os alunos deverão desenvolver projetos como “bots” e sistemas de automação de tarefas, como agendamento de consultas médicas, veículos autônomos, ciência de dados, assistentes pessoais, modelos preditivos e machine learning, entre outras vertentes.

Segundo o Anderson Soares, futuro professor de Inteligência Artificial na UFG e doutor em Engenharia Eletrônica e Computação, a falta de mão de obra na área é um problema global e o Brasil já está atrasado. Ele aponta que mais de 30 países já possuem iniciativas do governo para promover estratégias de uso e desenvolvimento de inteligência artificial (IA). E as mudanças na sociedade virão rapidamente: segundo pesquisa da IBM, mais de 7 milhões de brasileiros vão precisar de atualização nos próximos três anos.

“O profissional especializado em inteligência artificial tem formação em nível de doutorado, por que antes era uma pesquisa feita a longo prazo. Tivemos um avanço muito forte desde 2012, com novas e diferentes aplicações para a tecnologia, o que tornou necessária a formação para níveis mais generalistas”, explicou o professor em entrevista à revista Exame (link aqui).

Mesmo já existindo cursos de pós-graduação ou online e de curta duração, ele defende que a área é complexa e o mercado precisará de grandes líderes na transformação causada pela tecnologia. “O curso profissionalizante tem grande valor, mas a IA envolve muitas competências. Uma formação mais sólida será necessária, abordando computação e matemática junto com visão de negócios e soluções para o mercado. São muitas frentes para atacar em curto período de tempo”, fala ele.

A universidade investiu R$ 1 milhão em um supercomputador com capacidade de processamento equivalente a 2.000 máquinas convencionais. Ele é capaz de processar milhões de informações simultaneamente, algo fundamental considerando o aumento do volume de dados e a evolução das tecnologias.

A IA possibilita que máquinas identifiquem e aprendam com padrões, sem a interferência humana. A tecnologia é empregada para desenvolver soluções e aprimorar processos em administração, marketing, saúde e segurança, por exemplo.

Mais informações podem ser obtidas pelo site do Instituto de Informática da UFG: inf.ufg.br.


UFG Inteligência Artificial Ensino Superior Graduação