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Estado alcança 1.072 consumidores que escolhem quem será seu fornecedor; processo de migração de empresas se intensifica

Livre escolha faz consumidores optarem por novas fontes de energia em Goiás

18/03/2024, às 16:57 · Por Redação

Pequenas e médias empresas podem ter suas contas de luz reduzidas em cerca de 20% migrando para o mercado livre, que permite que o consumidor escolha de quem irá comprar sua energia. 

Cerca de 31% de toda energia consumida em Goiás, adquirida por 1.072 consumidores livres, já vem deste sistema. Eles decidem de quem irão comprar e não estão sujeitos às regras da concessionária local. 

Desde janeiro deste ano, mais 8 mil consumidores no estado, sendo 3,8 mil CNPJs, estão aptos a fazer a migração, sendo que 321 já informaram que irão para o mercado livre. A possibilidade de migração desses consumidores de menor porte passou a vigorar em janeiro.

A Portaria 50/2022 permitiu que todos os usuários do Grupo A (média e alta tensão) podem migrar ao mercado livre de energia, beneficiando aqueles com demanda menor que 500 kW, que são empresas de menor porte, o equivalente a uma conta de luz maior que R$ 10 mil por mês. 

Antes da Portaria, somente os consumidores do Grupo A, com demanda maior de 500 kW, equivalente a uma conta de R$ 140 mil, podiam migrar. Em dois meses, as migrações alcançaram metade do volume registrado em todo o ano de 2023, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Só em Goiás, 321 consumidores já anunciaram, oficialmente, a intenção de ir para o mercado livre.

Além de escolher seu fornecedor, o consumidor também pode personalizar o atendimento, negociar prazos e até definir o tipo de fonte da energia que vai comprar. Pequenas indústrias, supermercados, condomínios, padarias e postos de gasolina estão entre a unidades consumidoras que podem migrar.

Uma das comercializadoras no mercado livre é o Grupo Urca Energia, líder na produção de biometano no País. Para o diretor comercial e de marketing da Urca Trading, Roni Wajnberg, a abertura do mercado é uma grande transformação, que tornará indústrias e varejo mais competitivos. O Grupo Urca Energia é formado pelas empresas Gás Verde, EVA Energia, Urca Trading e Urca Gás. Roni Wajnberg lembra que, até setembro de 2022, existiam barreiras para a entrada no mercado livre e menos de 12 mil empresas e 35 mil unidades consumidoras estavam nele. Agora, já são 41.744 unidades em todo País, sendo que 3.596 migraram no primeiro bimestre deste ano e 16.793 já haviam anunciado a intenção migrar até o fim de janeiro. A portaria abriu um potencial de mercado de 165 mil empresas que podem entrar no mercado livre, sendo que 10% deles já pediram a migração. Em Goiás, foram 8%. “Abriu-se o mercado pra um novo tipo de cliente, de pequenas e médias empresas”, destaca o diretor da Urca. Para ele, este é o primeiro passo para uma futura abertura total, que incluirá consumidores empresariais de baixa tensão e residenciais, que poderão escolher de quem comprar.

A BC Energia atende 8% do mercado livre de energia em Goiás. O CEO da empresa, Alessandro Cunha, que também preside o conselho de administração da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), informa que a empresa tem 120 dos 321 processos atuais de migração no estado. “Nossa meta é alcançar 1 mil clientes em Goiás”, afirma. Para ele, a ampliação dependerá de mais conhecimento dos consumidores sobre o sistema. Segundo o CEO da BC Energia, metade dos consumidores livres em Goiás são filiais de outras empresas de atuação nacional. “Os mercados regionais demoram um pouco para conhecer o produto. Mas, de 2016 para cá, já houve um crescimento exponencial e nestes três primeiros meses de 2024, o mercado praticamente dobrou de tamanho”, destaca. Mas o executivo lembra que alguns clientes ainda não puderam migrar porque ainda têm contrato com a concessionária e precisaram comunicar a saída com seis meses de antecedência. “Mas já temos mais de mil propostas em discussão, de pessoas que ainda estão conhecendo o mercado livre e as empresas do mercado”, ressalta. Como este é um mercado volátil, com oscilações nos preços, uma vantagem é que a comercializadora assume estes riscos. Descoberta Outra empresa que atua no mercado goiano é a Yellot. Para o diretor comercial da empresa, Jordan Jorge, as empresas ainda estão descobrindo esta possibilidade de migração. Segundo ele, o agronegócio é o segmento mais latente nesta fase, pois utilizam muita energia em armazéns de grãos e pivôs de irrigação, por exemplo. “Será trabalho árduo para educar o mercado para que todos tenham acesso às informações sobre os benefícios”, prevê Jorge.

Jorge afirma que um produtor com conta mensal de R$ 20 mil, pode ter uma economia entre 20% e 30%. Ele explica que tempo do contrato é que vai travar esta energia para que ele tenha mais economia no longo prazo. Quanto menor a flexibilidade no consumo, maior a economia. “Um supermercado tem constância de consumo em quase todos os meses do ano e precisará de uma flexibilidade menor que a do agronegócio, que tem picos de consumo nos meses de colheita, por exemplo”. Na concessionária, os preços que variam de acordo com o horário do consumo. “No horário de ponta, por exemplo, o preço é o dobro do praticado no mercado livre. Fora da ponta, não é tão mais caro e terá acréscimos de 10% a 15%”, explica Jorge.


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