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Goiânia, 04/04/25
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Uma das ações mais divulgadas do Geacri Anápolis havia sido o combate a um caso de intolerância religiosa

Políticos e comunidade LGBTQIA+ cobram permanência de delegacia contra racismo e intolerância em Anápolis

09/04/2024, às 08:25 · Por Redação

Os vereadores Seliane da SOS (MDB) e Professor Marcos (PT) cobram pela permanência do Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (GEACRI), em Anápolis. A informação é do Rápidas do Portal 6.

A unidade era comandada pelo delegado Manoel Vanderic e teve o encerramento decretado pela Polícia Civil (PC) após ficar cerca de um ano e meio em atividade.

A justificativa do órgão foi a criação da Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (DEACRI), em Goiânia, que passou a centralizar a investigação de todos os casos no estado.

Seliane da SOS considera a medida um retrocesso. “O certo seria, caso não fosse possível montar também uma delegacia em Anápolis, manter o grupo, porque a cidade tem suas próprias demandas”, declarou.

Professor Marcos avalia que não adianta transformar o grupo em delegacia na capital e fechar as unidades do interior. “Anápolis tem muitas ocorrências na área de racismo e intolerância, ter o GEACRI aqui era uma segurança para os públicos atingidos”.

A vereadora e o parlamentar vão procurar a PC para buscar esclarecimentos. “Anápolis merece respeito!”, frisa Professor Marcos.

A notícia do fechamento da unidade surpreendeu diversos setores da população, em especial defensores dos direitos das pessoas LGBTQIA+.

“Considero que é um retrocesso para nossa população.”, informa a Dra. Thamisa Feitosa, advogada e membro da Comissão de Diversidade Sexual em Anápolis. “Acredito que essa ação Polícia Civil deve nos levar a um novo momento, de debate e apresentação do quão importante são os trabalhos desse grupo. Recebo com frequência casos de pessoas que sofrem preconceito religioso e atos de discriminação.

Por mais que a Geacri da capital tenha sido elevada ao status de delegacia, um grupo especializado não pode ser retirado a qualquer tempo, pois dificulta o acesso da população a seus direitos e descentraliza a pauta”.

Retrospecto

Uma das ações mais divulgadas do Geacri Anápolis havia sido o combate a um caso de intolerância religiosa ocorrida no CEPI Dr. Mauá Cavalcante Sávio, ocorrido em Outubro de 2023. No caso em questão, missionários e membros de uma igreja local realizaram palestras com teor transfóbico, na qual afirmava-se “a possibilidade de reversão da homossexualidade”.

O fato gerou a formalização de ocorrência nos trabalhos da Geacri Anápolis. “Foi instaurado um inquérito para apurar o conteúdo das falas e eventual configuração de crime por parte dos participantes”, informou o então delegado Dr. Manoel Manderic, coordenador do grupo.

Como consequência da Secretaria Estadual de Educação abriu “sindicância para averiguação dos fatos e responsabilização dos envolvidos”. O fato teve como consequência a restrição de visitas e palestras por parte de terceiros em unidades escolares de todo o estado.


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