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Davi Passamani foi preso dia 4 de abril

Pastor Davi Passamani é denunciado pelo MP por importunação sexual em Goiânia

15/04/2024, às 11:44 · Por Redação

O pastor Davi Passamani, preso dia 4 de abril, foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de importunação sexual, em Goiânia. Segundo a defesa do pastor, a acusação fala sobre um crime denunciado em dezembro de 2023, que teria ocorrido durante um diálogo realizado em um aplicativo de mensagens de um "interlocutor que afirma ser Passamani" e uma mulher.

A denúncia foi feita pelo órgão na quinta-feira, 11. Em nota ao G1, o advogado do pastor, Leandro Silva, negou as acusações e informou que vai apresentar a defesa dele nos autos do processo. Na nota, a defesa ainda alegou que as mensagens trocadas com a suposta vítima foram através de um aplicativo de mensagens.

A nota ainda disse que o pastor não tinha controle das suas próprias redes sociais e que elas eram controladas por terceiros que também cuidavam das finanças das duas empresas dele e da igreja. A prisão do líder religioso da Igreja A Casa foi embasada por "Davi Passamani estar presente em loucores e isso representar risco à sociedade de ocorrência de possíveis novas vítimas de assédio". Segundo a delegada Amanda Menucci, o pastor aproveitava de mulheres vulneráveis emocionalmente e usava até passagens bíblicas para a abordagem.

"Ele inicia a conversa no teor religioso, cita versículos bíblicos e a abordagem é com base na bíblia, valendo-se da religião e aproveitando o estado de vulnerabilidade", explica a delegada.

A delegada detalhou que até o perfil físico das vítimas era semelhante: garotas jovens e bonitas. Passamani se oferecia para orar por elas pelo Instagram e depois pedia o WhatsApp, conforme mostrou a investigação.

“Ele vai citando coisas bíblicas, fala que teve uma visão, teve um sonho religioso e aí já em seguida entra na conversa sexual e pratica o crime”, completou.

Histórico de denúncias

Além do casa de 2023, em março de 2020 uma jovem de 20 anos usou as redes sociais para denunciar Passamani por importunação sexual. A denúncia foi formalizada na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Goiânia, que apurou o relato e encaminhou o inquérito ao Ministério Público.

De acordo com a jovem, o assédio teria ocorrido pouco mais de um ano antes da denúncia, mas ela justificou que teve medo e insegurança em expor a situação. Nas postagens em perfil no X (antigo Twitter), ela garantia ter provas da queixa como áudios, mensagens de texto e até vídeo de uma chamada que o pastor teria feito com ela.

O advogado do pastor disse à época que ele foi afastado das funções ministeriais para tratamento médico especializado. Também no final de março, Passamani gravou um vídeo no qual ele negava a prática de crime e avisava sobre o apoio psiquiátrico a que havia procurado. Um mês depois, a Justiça arquivou o processo por “ausência de justa causa”. O processo corre em segredo de Justiça.

Sobre esse caso de 2020, o pastor foi condenado a pagar uma indenização de R$ 50 mil por assédio após a vítima entrar com uma ação na esfera civil. Essa mesma mulher foi chamada de "sonsa" por um desembargador durante uma sessão que discutia o caso (assista vídeo abaixo). 

O pastor renunciou ao cargo de presidente e líder religioso na Igreja Casa após ser acusado por uma fiel de importunação sexual. Em uma nota divulgada em 24 de dezembro de 2023, Passamani diz que a decisão é definitiva.

Nota da defesa de Davi Passamani na íntegra:

"Davi Passamani foi denunciado e apresentará sua defesa nos autos do processo. A acusação narra que uma mulher dialogou por meio de aplicativo de mensagens com um interlocutor, que afirma ser Passamani, e o conteúdo do diálogo é de importunação sexual. De 1hs40min que a suposta vítima alegou ter conversado, constam nos autos apenas 3min17seg de documento. Das milhares de mulheres que frequentaram a igreja “A Casa” e o viram presencialmente, nenhuma reclamou de desconforto, constrangimento ou mesmo importunação causado por ele. Os 3 casos citados na mídia ao longo dos anos, são supostos diálogos travados exclusivamente por meio de aplicativo de mensagens.

Porém, Passamani não tinha o controle de suas redes sociais, essas eram controladas por terceiros que se diziam de confiança e as quais ele acreditava, inclusive cuidavam das finanças de suas duas empresas e da igreja. Essas mesmas pessoas exigiram que a sua assinatura fosse feita por meio eletrônico (token), dias depois, a primeira assinatura eletrônica foi de sua renúncia da Presidência da Igreja “A CASA”.

O motivo de sua prisão é unicamente o fato de frequentar reuniões de louvor ou cultos religiosos, pois isso poderia representar perigo de novas vítimas. Em verdade, o seu talento incomodava a “NOVA DIREÇÃO DA IGREJA A CASA, que temia que fiéis pudessem acompanhá-lo para outro local.

Passamani era um obstáculo, pois enquanto estava na direção da IGREJA “A CASA”, aplicava a ideologia de que a igreja é para fazer a obra de Deus, ele se opunha a ideologias mercantilistas da fé, por isso foi chamado de atrasado e retrógrado. Como não cedeu, buscaram eliminá-lo.

Nega-se todas as acusações. Agora, ele lutará para salvar seus filhos, seu patrimônio, sua vida e pelo seu direito constitucional de exercício de crença.

Leandro Silva

Advogado."


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