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Possível venda ou suspensão das atividades de níquel pela Anglo American em Niquelândia traz à tona memórias da crise provocada pela saída da Votorantim Metais há 8 anos
Mineradora Anglo American ameaça paralisação de operação em Niquelândia
18/05/2024, às 07:53 · Por Redação
A mineradora Anglo American anunciou, na última terça-feira, 14, uma reestruturação global que inclui a venda de diversos ativos, entre eles a operação de níquel no Brasil, localizada em Niquelândia. A empresa informou, em comunicado interno, que está reavaliando o negócio de níquel devido à crise no cenário de preços, focando-se nos ativos de cobre, minério de ferro de alto teor e fertilizantes. Isso levanta a possibilidade de uma paralisação temporária ou venda da operação de níquel, causando apreensão entre os moradores de Niquelândia.
Euclides Oliveira, jornalista e empresário local, destacou ao Diário de Goiás a crescente preocupação entre os habitantes do município. Ele relembrou a paralisação das atividades da Votorantim Metais em janeiro de 2016, que resultou na perda de cerca de 2 mil postos de trabalho diretos e indiretos. "Naquela ocasião, muitos estabelecimentos comerciais fecharam e a cidade perdeu muitos moradores. Tanto isso é verdade que, no Censo de 2022, a população de Niquelândia caiu de 47 mil para 36 mil habitantes. Porém, nesses oito anos, quem permaneceu na cidade conseguiu se reerguer e a saída da Votorantim acabou sendo absorvida ao longo desse período", explicou Oliveira.
A recente manifestação da Anglo American surpreendeu os moradores e gerou incerteza sobre o futuro econômico da cidade. "Ninguém esperava que a Anglo American pudesse manifestar a intenção de vender suas operações de níquel tanto aqui em Niquelândia como em Barro Alto. Até mesmo comunicados internos da mineradora a seus colaboradores estão sendo republicados em grupos de WhatsApp aqui em Niquelândia", detalhou Oliveira.
Em nota oficial, a Anglo American afirmou que nenhuma decisão definitiva foi tomada e que as operações seguem normalmente. "Continuamos comprometidos com nossos inegociáveis valores, especialmente a segurança física e psicológica dos nossos empregados e colaboradores", declarou a empresa.
Presidente da Associação Comercial e Industrial de Niquelândia (Acin), Ronaldo Fernandes da Silva criticou a atual gestão municipal por não se preparar para situações como essa. "As políticas públicas locais não focaram em aproveitar outras riquezas do município, como o agronegócio e o turismo. Hoje, dependemos da mineração e não estamos preparados para o futuro", afirmou Silva. Ele destacou que, após a saída da Votorantim Metais, o agronegócio cresceu, mas o turismo continua subaproveitado, apesar do grande potencial natural da região.
A crise no mercado de níquel é amplificada pela produção mais barata na Indonésia, onde mineradoras chinesas têm dominado o setor, reduzindo os custos operacionais e de mão de obra. Isso resultou em uma queda de 40% nos preços do níquel em 2023. A Indonésia, que detém 50% das reservas mundiais de níquel, exerce pressão sobre outras mineradoras globais, forçando-as a reavaliar suas operações.
O anúncio da Anglo American trouxe à tona a possibilidade de um impacto econômico significativo para Niquelândia, similar ao ocorrido há oito anos. "Informaram que a possibilidade agora é de venda ou de paralisação e que será feito um estudo de viabilidade. Talvez esse estudo já tenha sido feito, uma vez que o problema se tornou público", concluiu Ronaldo Fernandes.
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