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As suspeitas são de fraude em licitações e contratos, corrupção ativa, corrupção passiva, constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro
Polícia faz operação na Prefeitura de Goiânia por suspeita de fraude e corrupção
05/06/2024, às 10:30 · Por Redação
A Polícia Civil (PCGO) realizou uma operação na sede da Secretaria de Infraestrutura Urbana de Goiânia (Seinfra) na manhã desta quarta-feira, 5. As suspeitas são de fraude em licitações e contratos, corrupção ativa, corrupção passiva, constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, sendo um na Seinfra,
oito em sedes de empresas e 10 em casas de pessoas físicas, como sócios
administradores e funcionários de empresas. A corporação também cumpre ordens
judiciais em residências ligadas a funcionários públicos municipais, que
estariam envolvidos no esquema.
Entre os investigados estão o atual secretário da Seinfra e
ex-secretário de administração, Denes Pereira Alves, além do ex-superintendente
de obras e infraestrutura da pasta e um pregoeiro da Secretaria Municipal de
Administração (Semad).
Há indícios que os investigados, agindo no âmbito de suas
atribuições, teriam viabilizado as contratações em benefício das empresas Goiás
Led Materiais Elétricos e Construção Ltda, Elétrica Luz Comercial de Materiais
Elétricos Ltda, e Elétrica Radiante Materiais Elétricos Ltda, que pertencem a
um mesmo grupo empresarial sediado em Goiânia, no qual, se encontra registrado
em nome de funcionários.
Segundo a PC, a Justiça determinou a suspensão de sete
contratos da Prefeitura de Goiânia celebrados com as empresas investigadas,
além de mandados judiciais para afastamento dos sigilos bancário e fiscal de
todos os alvos da operação. Os crimes na estariam sendo praticados desde meados
de 2022 até a presente data.
A investigação revelou ainda que, apenas no primeiro
semestre do ano de 2023, em virtude das aquisições na atual gestão do
secretário, foram empenhados mais de R$ 22 milhões para o grupo empresarial
investigado, sendo que, desse total, já teriam sido pagos mais de R$ 12 milhões
em liquidações.
Suspeitas
A polícia trabalha com duas linhas de investigações: a
primeira revelou indícios de fraudes em licitações e contratos, praticados em
razão da celebração de sete contratos pela Prefeitura de Goiânia, sendo seis
por meio de adesões à atas de registro de preço de prefeituras de outros
Estados, a saber, do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Planalto de
Araxá (CIMPLA) sediado em Araxá (MG), do Consórcio Intermunicipal Dom Mariano
(CONDOMAR) sediado no Município de Pesqueira (PE), da Prefeitura de Canarana
(MT), da Prefeitura de Campo Grande (MS), da Prefeitura de Vitória da Conquista
(BA) e outra da Prefeitura de Anápolis (GO).
Em todas essas contratações, conforme a PC, foram detectados
indícios de irregularidades, inclusive em alguns procedimentos licitatórios
havidos nos órgãos gerenciadores das Ata de Registros de Preço. Também foram
identificadas contratações em quantidades acima do permitido para a adesão de “caronas”,
assim como indefinição de objetos contratados, sobrepreço em alguns casos, além
de indícios de falsidade documental em outros, em espécie de esquema de
“montagem” de processos de contratação na Seinfra, inclusive, para adesão a uma
ARP que havia sido revogada pelo ente público gerenciador em razão de
sobrepreço.
Os contratos firmados entre a prefeitura e as empresas
investigadas visam a aquisição de luminárias públicas de led, materiais para
manutenção de iluminação decorativa e de eventos, contratação de serviços de
reforma, locação e instalação de figuras de decoração de Natal, fornecimento de
materiais elétricos, ferramentas e EPI, fornecimento de luminárias, braços
ornamentais e postes metálicos.
Além das possíveis fraudes em relação a essas adesões, a
investigação também revelou indícios de fraude em uma licitação promovida pela
Prefeitura de Goiânia por meio da Semad, em razão de restrição do caráter
competitivo do certame, conluio entre as empresas participantes em esquema de
alinhamento de preços, além de sobrepreço de 973% no valor da aquisição de
projetores de iluminação, acarretando prejuízo ao erário.
Inicialmente foi constatado um aumento substancial de 496%
nos valores das contratações com apenas uma das empresas investigadas no final do
ano de 2022, após Denes Pereira assumir o comando da Seinfra. A partir disso,
foi descoberto inúmeros outros contratos celebrados com outras empresas
pertencentes ao mesmo grupo empresarial controlado pelos investigados.
Denes, inclusive, é apontado como sendo o responsável pela
assinatura dos contratos celebrados. O superintendente de obras e
infraestrutura, por outro lado, é apontado como sendo o elo do grupo
empresarial investigado ao secretário, agindo, também, durante a execução dos
contratos com infração de dever funcional, viabilizando o recebimento de
mercadorias em menor quantidade e com qualidade reduzida.
Assim, também há indícios de fraude na execução dos
contratos por meio da entrega de mercadorias em quantidades reduzidas e
falsificadas, emissão de notas fiscais frias pelas empresas, seguido de atestes
falsos pelos fiscais e gestores dos contratos. Quanto ao presidente da comissão
de licitação responsável pelo Pregão Eletrônico 16/2022-SEMAD, em tese
fraudado, teria viabilizado que os demais investigados fraudassem o certame por
meio de alinhamento de preços, impedindo uma concorrência justa entre os
participantes.
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