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Suspeito de atropelar e matar um vigilante, o motorista do carro de luxo Antônio Scelzi Netto, de 25 anos, teria bebido em vários bares da capital goiana antes do acidente
Juíza repreende motorista de Mercedes que matou vigilante: "agride a sociedade"
12/06/2024, às 11:04 · Por Redação
Em uma audiência de custódia marcada por uma severa reprimenda, a juíza Ana Cláudia Veloso Magalhães converteu a prisão em flagrante de Antônio Scelzi Netto em prisão preventiva. Scelzi, motorista de um carro de luxo, atropelou e matou o vigilante Clenilton Lemes Correia, de 39 anos, no último domingo, 9.
Durante a audiência, a juíza não poupou críticas ao comportamento do acusado. "Ele não sabe o que é respeito pela lei, não age como uma pessoa integrada à sociedade, desobedece as normas jurídicas. Agride, afronta, dissemina a nossa sociedade", declarou Ana Cláudia.
A juíza também criticou a tipificação legal do crime. “Lamentavelmente, o Código de Trânsito tipifica essas condutas como homicídio culposo. Na verdade, isso aqui é um homicídio doloso, consumado. Porque todas as pessoas sobre a face da Terra que ingerem bebida alcoólica e pegam um veículo para dirigir têm dolo. Elas têm vontade. Elas têm desejo. Pode ser eventual, mas têm dolo. E não culpa”, afirmou.
Ana Cláudia sublinhou a necessidade de revisão do ordenamento jurídico para garantir justiça às famílias das vítimas. "Como fica a família de uma vítima de 39 anos de idade sabendo que outro ingeriu bebida alcoólica, pegou o carro, atropelou, foi embora, largou o corpo no local, escondeu o carro em casa, com a placa da vítima grudada no veículo e ainda fugiu? Fico pensando como é que ficam as famílias das vítimas neste país, com essa sensação de total impunidade?", questionou.
Liberdade
Apesar da decisão inicial da juíza, horas depois, o desembargador Ivo Fávaro concedeu habeas corpus a Antônio Scelzi, permitindo que ele responda ao processo em liberdade condicional. As condições impostas incluem a proibição de deixar a cidade e de dirigir. A defesa de Scelzi argumentou que a conversão da prisão em preventiva violava o Código Penal Brasileiro e que o cliente está colaborando com as investigações policiais e judiciais. Além disso, a defesa disse estar em contato com a empresa onde Clenilton Lemes Correia trabalhava para prestar o auxílio necessário à família da vítima.
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