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Corregedoria da Polícia Militar diz que policiais apresentaram diferentes versões sobre motivações, disparos e até horários da ocorrência; eles devem responder por homicídio e fraude processual
PMs mentiram para tentar justificar mortes de homens em confronto, conclui investigação
13/06/2024, às 09:54 · Por Redação
A Corregedoria da Polícia Militar de Goiás concluiu que os policiais envolvidos em um suposto confronto que resultou na morte de duas pessoas em Goiânia mentiram para justificar suas ações e dificultar as investigações. Segundo o inquérito, os policiais apresentaram diferentes versões sobre as motivações, os disparos e até os horários do incidente.
Os policiais, que chegaram a ser presos durante as investigações, já estão em liberdade. No entanto, enfrentarão as seguintes acusações:
- 1º Tenente Alan Kardec Emanuel Franco: responderá diretamente por fraude processual e indiretamente por participação intelectual e apoio material nos homicídios.
- 2º Tenente Wandson Reis dos Santos: responderá diretamente pela morte de Júnior José e por fraude processual.
- 2º Sargento Marcos Jordão Francisco Pereira Moreira: responderá diretamente pela morte de Marines e por fraude processual.
- 3º Sargento Wellington Soares Monteiro: responderá diretamente pela morte de Marines e por fraude processual.
- Soldado Pablo Henrique Siqueira e Silva: responderá indiretamente por fraude processual e por participação intelectual e apoio material nos homicídios.
- Soldado Diogo Eleuterio Ferreira: responderá indiretamente por fraude processual e por participação intelectual e apoio material nos homicídios.
Divergências nas versões dos policiais
A ocorrência, que aconteceu no dia 1º de abril no Setor Jaó, resultou na morte de Marienes Pereira Gonçalves e Júnior José de Aquino Leite, suspeitos de extorsão, tentativa de sequestro e roubo. Um vídeo gravado por uma das vítimas mostra que nenhum dos dois reagiu, mas ainda assim foram baleados. O vídeo também revela uma possível simulação de confronto, onde um PM aparece sacando uma pistola e atirando duas vezes, enquanto outro tira uma arma da sacola e também dispara.
O inquérito analisou os depoimentos dos policiais e testemunhas, além dos vídeos divulgados pela imprensa e os primeiros relatos no boletim de ocorrência. Foram encontradas diversas inconsistências:
- Horário da ocorrência: alguns policiais disseram que começou pela manhã, outros à tarde.
- Motivação: divergências entre extorsão a um dentista, invasão a uma fazenda e repressão a uma quadrilha.
- Local da ocorrência: alguns mencionaram Trindade, outros Petrolina.
- Quantidade de disparos: relatos imprecisos e contraditórios.
Abordagem dos suspeitos
O tenente Wadson Reis afirmou que ordenou que um dos suspeitos colocasse as mãos na cabeça, mas este teria sacado uma arma e disparado, justificando assim a reação dos policiais. No entanto, a Corregedoria considera que esses relatos não condizem com os áudios e vídeos, que mostram uma possível manipulação da cena do crime.
Desaparecimento de celulares
O paradeiro do celular de Júnior José também levantou suspeitas. Policiais afirmaram que o aparelho foi deixado no teto do veículo, mas as esposas das vítimas disseram que os celulares não foram devolvidos. A Corregedoria questiona a lógica dessa versão, apontando que um celular não ficaria em cima de um carro em movimento sem cair.
Fraude processual
A Corregedoria afirmou que os policiais, mesmo aqueles que não aparecem nos vídeos manipulando a cena ou atirando, sabiam dos acontecimentos e deveriam ter comunicado seus superiores. Além disso, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO) foi solicitada a fornecer dados de GPS das viaturas, mas nenhuma rota foi informada, contribuindo para a complexidade do caso.
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