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Goiânia, 03/04/25
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Letícia Coqueiro

Presidente-executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Edwal Portilho, diz que redução da jornada para quatro dias pode dobrar custos das empresas e comprometer competitividade no Brasil

Presidente da Adial critica fim da escala 6×1 e alerta para impacto econômico

17/11/2024, às 10:03 · Por Redação

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1, em tramitação na Câmara dos Deputados, tem gerado intensos debates entre trabalhadores e representantes do setor produtivo. Enquanto empregados defendem a redução da carga horária como melhoria para a qualidade de vida, empresários alertam para os possíveis impactos econômicos negativos.  

O presidente-executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Edwal Portilho, conhecido como Tchequinho, posicionou-se contra a medida, ao destacar o aumento potencial nos custos para os empregadores. "As propostas para uma semana de trabalho reduzida para quatro dias poderiam aumentar consideravelmente os custos das empresas, uma vez que o custo médio de um trabalhador formal para o empregador é atualmente o dobro do salário pago", afirmou em entrevista ao Diário de Goiás.  

Apesar da oposição à PEC, Portilho enfatizou o compromisso da Adial em buscar um equilíbrio entre eficiência produtiva e condições dignas de trabalho. "Nosso propósito é equilibrar o aumento da produtividade com uma maior valorização da qualidade de vida dos colaboradores, promovendo um ambiente de trabalho que respeite sua dignidade e bem-estar", ressaltou. Ele mencionou ainda que a Adial segue os princípios do Pacto Global da ONU, voltados à construção de um mercado mais justo e sustentável.

Portilho pontuou que a discussão sobre novos modelos de jornada precisa considerar as realidades específicas de cada setor produtivo. "Não podemos ignorar questões importantes, como agregar valor à produção, aumentar a produtividade e enfrentar obstáculos estruturais que ainda prejudicam a economia brasileira", disse.  

O presidente da Adial também destacou um problema histórico no mercado de trabalho brasileiro: o baixo crescimento da produtividade. "Nos últimos 40 anos, a produtividade média do trabalhador brasileiro cresceu apenas 0,6% ao ano. Hoje, um trabalhador brasileiro produz cerca de um terço do que um europeu e um quarto do que um norte-americano", explicou.  

Segundo ele, essa realidade reflete diretamente na competitividade do país e na qualidade de vida dos trabalhadores. Para Tchequinho, debates sobre a carga horária devem estar alinhados com medidas que enfrentem esses gargalos, garantindo que mudanças na legislação trabalhista não comprometam a sustentabilidade econômica.


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