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Goiânia, 04/04/25
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Relatório preliminar do Cenipa aponta detalhes do acidente, mas conclusão sobre o que levou à explosão da aeronave ainda não foi divulgada

Um mês após acidente, causa de queda de jatinho em Ubatuba segue indefinida

09/02/2025, às 16:17 · Por Redação

Um mês após um jatinho executivo explodir após uma tentativa de pouso fracassada em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, as investigações ainda não apontaram uma causa definitiva para o acidente, ocorrido em 9 de janeiro. O piloto morreu e os quatro passageiros, um casal de produtores de soja de Goiás e seus dois filhos, de 4 e 6 anos, ficaram feridos e precisaram ser hospitalizados.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou um relatório preliminar em 15 de janeiro, contendo informações básicas sobre o ocorrido, mas sem apontar fatores determinantes para o acidente. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o documento se restringe a dados factuais do estágio inicial da investigação, e não há previsão para a conclusão final. “Terá o menor prazo possível, dependendo da complexidade de cada ocorrência e da necessidade de descobrir os possíveis fatores que contribuíram para o acidente”, declarou o Cenipa.

O relatório aponta que a aeronave, um Cessna Aircraft modelo 525, fabricado em 2008, partiu do aeródromo de Mineiros, em Goiás, com destino ao Aeródromo Estadual Gastão Madeira, em Ubatuba. Durante o pouso, ultrapassou o limite da pista e colidiu com o alambrado do aeroporto, atravessou a Avenida Guarani e explodiu ao atingir a areia da Praia do Cruzeiro.

Imagens de câmeras de segurança mostram o jato se aproximando e, sem conseguir frear, cruzando a via antes de se chocar contra um poste e um carro estacionado, que estava vazio no momento da colisão. Testemunhas relataram que chovia no momento do acidente e que a pista estava molhada.

Além da Aeronáutica, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo também investigam o caso. A Delegacia de Ubatuba instaurou inquérito policial e aguarda os laudos periciais para aprofundar a análise das circunstâncias do acidente. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.

A administradora do aeroporto, Rede Voa, afirmou que as duas cabeceiras da pista estavam liberadas no dia 9 de janeiro. Contudo, a aeronave optou por pousar na cabeceira voltada para o mar, que tem apenas 560 metros disponíveis para frenagem, enquanto a outra ponta da pista oferece 940 metros. Ainda não há explicação sobre a escolha dessa direção.

Especialistas consultados sugerem que a pista reduzida, a chuva e o tempo de resposta do piloto podem ter influenciado o acidente. Não foram encontradas marcas de frenagem na pista, apenas no gramado após o asfalto, o que pode indicar que a aeronave tocou o solo além do ponto ideal de aterrissagem ou teve dificuldades para arremeter.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o jatinho estava regularizado para serviços aéreos privados, mas não tinha autorização para operações de táxi-aéreo. O avião foi comprado em novembro de 2020 e possuía todas as certificações de aeronavegabilidade em dia.


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