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Goiânia, 04/04/25
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Letícia Silvestre

Deputado federal Rubens Otoni diz que "é no mínimo curioso ver lideranças que antes defendiam o combate à corrupção agora tentarem reduzir a inelegibilidade"

Deputados goianos divergem sobre mudanças na Lei da Ficha Limpa

11/02/2025, às 10:13 · Por Redação

A possibilidade de reduzir o prazo de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa tem gerado discordância entre os deputados federais de Goiás. Enquanto seis parlamentares já se manifestaram contrários à mudança, outros seis apoiam a proposta, e cinco preferiram não responder. Apesar da divisão, há consenso na bancada sobre o bom início de gestão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Motta afirmou recentemente que considera os atuais oito anos de inelegibilidade um período "muito longo". Segundo ele, "quatro eleições é uma eternidade", referindo-se ao intervalo das disputas eleitorais no Brasil. No entanto, o presidente da Casa garantiu que não há compromisso em colocar o tema em votação e que qualquer discussão dependerá do colégio de líderes.

A iniciativa de reduzir o tempo de inelegibilidade foi apresentada pelo deputado Bibo Nunes (PL-RS) e conta com o apoio de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O único parlamentar goiano a assinar o projeto até agora foi Gustavo Gayer (PL). Se aprovada, a proposta reduziria o período de inelegibilidade de oito para dois anos, permitindo que Bolsonaro, atualmente impedido de disputar eleições até 2030, concorresse já em 2026.

Ao jornal O Popular, parlamentares contrários à mudança falaram que a proposta representa um retrocesso no combate à corrupção. O deputado Rubens Otoni (PT) afirmou que "é no mínimo curioso ver lideranças que antes defendiam o combate à corrupção agora tentarem reduzir a inelegibilidade", chamando a medida de "oportunismo político". José Nelto (UB) classificou a alteração como um "prêmio aos corruptos" e previu forte resistência da sociedade e do Ministério Público.

A deputada Adriana Accorsi (PT) também criticou a iniciativa, chamando-a de "inaceitável" e "um desrespeito ao povo brasileiro". Para Marussa Boldrin (MDB), a discussão deveria ser mais aprofundada, sem atropelar outras pautas prioritárias. Já Jeferson Rodrigues (Republicanos) afirmou que a lei deve permanecer inalterada para garantir que os representantes políticos tenham "autoridade moral" para ocupar seus cargos.

Entre os que apoiam a redução do prazo, Ismael Alexandrino (PSD) argumentou que "oito anos é um tempo extenso" e que quatro anos seria mais razoável. Zacharias Calil (UB) disse que a Lei da Ficha Limpa foi um avanço, mas precisa de ajustes para garantir punições proporcionais. Daniel Agrobom (PL) defendeu que penas para crimes de corrupção sejam severas, mas que infrações de menor gravidade possam ter sanções mais brandas.

Apesar do debate, a tramitação do projeto ainda é incerta. Mesmo sendo visto como um aliado do Centrão e do PL, Hugo Motta tem evitado assumir compromissos com a mudança na Lei da Ficha Limpa. Enquanto isso, a articulação política seguirá nos bastidores, com parlamentares alinhados a Bolsonaro buscando viabilizar a proposta.


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