Matérias
Divulgação
Os tucanos abusaram dos vacilos na última década. E tamanho rol de burradas não fica de graça na política.
Coluna do Pablo Kossa: Melancólico ocaso tucano
12/02/2025, às 19:12 · Por Pablo Kossa
O fim do PSDB está desenhado no horizonte. Embora ainda não saibamos qual seja, o ocaso do partido já é dado. Seja incorporado ao PSD, seja uma volta com rabo entre as pernas ao corpo do MDB do qual os tucanos surgiram como costela rebelde ou mesmo uma fusão junto outra sigla pequena, tanto faz. O amargo que habita a boca tucana é forte.
A real é que o PSDB cavou com gosto a cova que agora está
afundando.
O partido tem virtuosa folha corrida de serviços prestados
ao país. Governou o Brasil por oito anos e consolidou a estabilização econômica
do Plano Real iniciada no governo de Itamar Franco; administrou inúmeros
estados brasileiros com inovações elogiáveis; criou programas sociais
relevantes; a legenda tinha um projeto de país e inequívoco compromisso
democrático (tristes dias em que ressaltar obviedade como qualidade seja
necessário, mas é o que temos pra hoje...). E deixou todo esse legado cair por
terra com erros pueris.
Os tucanos abusaram dos vacilos na última década. E tamanho
rol de burradas não fica de graça na política.
José Serra errou ao não defender o legado de FHC e ao
abandonar mandatos por ambição de cargos mais poderosos.
Aécio Neves errou ao questionar judicialmente a derrota nas
urnas para Dilma Roussef e assim botou pilha no discurso golpista bolsonarista
de fraude eleitoral.
Geraldo Alckmin errou ao bancar politicamente um narcisista
sem grupo como João Doria que implodiu a fortaleza tucana em São Paulo.
Marconi Perillo e Beto Richa erraram ao não entenderem que a
alta popularidade em seus estados não lhes permitia tudo e meteram os pés pelas
mãos.
É claro que existe um contexto em que o voto de extrema
direita que sempre esteve por aí no Brasil teve no PSDB seu refúgio
eleitoralmente competitivo nas duas décadas de polarização entre tucanos e
petistas. Quando Jair Bolsonaro se tornou viável dizendo o que dizia, os reaças
se sentiram mais representados do que quando tinham que votar no uspianismo do
vinho caro tucano.
Mas isso não tira a culpa principal dos tucanos. O PSDB
morrer à míngua é consequência direta dessa coletânea vulgar de erros. Negar
isso é negar o óbvio.
Pablo Kossa PSDB Marconi Perillo José Serra Aécio Neves Fim do PSDB