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Goiânia, 03/04/25
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Medida proposta pelo presidente dos EUA pode reduzir exportações e impactar arrecadação e investimentos no setor sucroenergético goiano, segundo especialistas

Ameaça de Trump de taxar etanol brasileiro pode afetar economia de Goiás

15/02/2025, às 14:52 · Por Redação

A possível imposição de tarifas sobre o etanol brasileiro pelo governo dos Estados Unidos, proposta pelo presidente Donald Trump, pode gerar impactos significativos em Goiás, segundo especialistas. O estado, que é o segundo maior produtor de etanol do Brasil, exportou US$ 4,1 milhões do combustível para os EUA em 2023, conforme dados da Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás.

Em um memorando divulgado recentemente, Trump criticou a diferença nas tarifas cobradas pelos dois países. “A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. Mesmo assim, o Brasil cobra das exportações de etanol dos EUA uma tarifa de 18%. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto os EUA exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil”, afirmou o presidente americano.  

 Ao portal Mais Goiás, o superintendente de Comércio Exterior e Atração de Investimento Internacional da Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás, Plínio César, disse que a medida pode ter efeitos negativos a médio e longo prazo. “Inicialmente, a demanda seria absorvida no mercado interno, reduzindo o preço nas bombas. Contudo, a médio e longo prazo, os reflexos seriam nocivos”, explicou.  

Ele destacou que a possível queda nas exportações para os EUA poderia reduzir a arrecadação do estado e comprometer investimentos no setor. Além disso, o custo da produção do etanol, que é ancorado no dólar devido à aquisição de equipamentos, insumos agrícolas e fertilizantes, poderia se tornar inviável para os produtores com a redução da entrada da moeda estrangeira. 

Plínio César apontou três caminhos para mitigar os impactos da medida: diversificar os parceiros comerciais, investir em inovação e fortalecer a pesquisa de biocombustíveis mais eficientes, e aumentar o valor agregado do produto. Nesse sentido, o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, acompanha o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) em uma viagem à Índia, país que já comprou US$ 14,4 milhões em etanol goiano em 2023, para expandir o mercado internacional.  

André Rocha preferiu não se pronunciar sobre a medida antes de uma decisão concreta de Trump. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) emitiu uma nota lamentando a inclusão do etanol no memorando. “A medida pretende colocar no mesmo patamar o etanol produzido no Brasil e nos Estados Unidos, embora possuam atributos ambientais e potencial de descarbonização diferentes e, portanto, não faz sentido falar em reciprocidade”, afirmou a entidade.  

A Unica também alertou que a medida pode representar um retrocesso no combate às mudanças climáticas. “Esperamos que os estados americanos e a indústria local, comprometidos com o combate à mudança do clima, trabalhem para impedir esse retrocesso proposto pelo governo.”  

Goiás consolidou-se como o segundo maior produtor de etanol do Brasil em 2023, com 5,457 milhões de litros produzidos, segundo o Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O estado ficou atrás apenas de São Paulo, que produziu 13,6 milhões de litros, representando 38,9% da produção nacional.  


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