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Goiânia, 02/04/25
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Comando de Operações Especiais em Goiânia: técnicas das forças especiais foram usadas pelos citados

PGR destaca Goiânia e papel de militares em investigação sobre tentativa de golpe

20/02/2025, às 10:49 · Por Redação

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado em 2022, destacando o papel de Goiânia no planejamento da ação. Em um documento de 272 páginas, a capital goiana é mencionada 18 vezes, sendo apontada como local estratégico para reuniões, aquisição de equipamentos e deslocamentos de integrantes da suposta organização criminosa.

A investigação cita quatro militares que atuaram em batalhões do Exército em Goiás e que teriam participado das articulações golpistas. A PGR destaca ainda a influência dos chamados "kids pretos" – militares com formação em Forças Especiais, que, segundo o procurador-geral Paulo Gonet, possuíam "conhecimento tático especializado" e capacidade de influenciar seus comandantes.

Goiânia abriga o Comando de Operações Especiais (Copesp), onde estão localizados o 1º Batalhão de Forças Especiais (BFEsp) e o 1º Batalhão de Ações de Comandos (BAC), unidades de elite do Exército Brasileiro. A cidade foi apontada como ponto de encontro de conspiradores, que discutiram estratégias para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e desestabilizar o país.

Dentre as ações realizadas em Goiânia, a denúncia menciona encontros com discursos golpistas, aquisição de celulares e chips "frios" para comunicação sigilosa, aluguel de veículos para deslocamento até Brasília e a formação do grupo "Copa 2022", que teria monitorado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com suposta intenção de prendê-lo ou executá-lo.

"As técnicas das Forças Especiais eram utilizadas pela organização criminosa não apenas no contato com os movimentos populares, mas especialmente no desenho das estratégias de ruptura institucional, como já sinalizavam os planos encontrados em poder dos denunciados", afirmou Gonet no documento.

A colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, foi fundamental para revelar um encontro realizado no Copesp, em Goiânia, em novembro de 2022. Segundo o depoimento, dois oficiais defenderam a criação de um cenário de "caos" para impedir a posse de Lula. Eles foram identificados como os tenentes-coronéis Rafael Martins de Oliveira e Hélio Ferreira Lima, que se reuniram posteriormente com o general da reserva Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro.

Após essa reunião, Oliveira e Ferreira Lima teriam viajado várias vezes de Goiânia a Brasília para novos encontros e suposta vigia de locais frequentados por Alexandre de Moraes. Oliveira foi preso em fevereiro de 2023, em Niterói (RJ), mas tinha Goiânia como base de atuação. Ele é apontado como um dos mais ativos na articulação golpista.

Outro nome de destaque na investigação é o general da reserva Mário Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência, que comandou o Copesp em Goiânia. Ele é acusado de elaborar o documento "Punhal Verde e Amarelo", que detalhava um plano para assassinar Lula, Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O material teria sido impresso no Palácio do Planalto e entregue a Bolsonaro.

Outros denunciados
Além de Oliveira, Ferreira Lima e Fernandes, outros dois militares com histórico de atuação em Goiânia foram denunciados: os tenentes-coronéis Rodrigo Bezerra de Azevedo e Guilherme Marques Almeida. Azevedo teria participado ativamente das movimentações ao lado de Oliveira, enquanto Almeida foi apontado como integrante do núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral. Com a denúncia, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar o caso e decidir os próximos passos da investigação.


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