Matérias
Divulgação
Consultas ao Registro de Atendimento Integrado (RAI) auxiliam no encontro de pessoas desaparecidas
Governo federal inicia nova fase de mobilização para identificação de pessoas desaparecidas
26/02/2025, às 10:41 · Por Redação
A segunda etapa da Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas tem início nesta quarta-feira, 26, em todo o país. A iniciativa do governo federal envolve os Ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, além da Saúde. Desta vez, o foco está na identificação de pessoas vivas em instituições de acolhimento, como hospitais e abrigos.
Em Goiás, a Superintendência de Identificação Humana (SIH) coordenará a ação por meio da Divisão de Políticas para Pessoas Desaparecidas, que ficará responsável por receber e gerenciar as informações das instituições. O titular da Autoridade Central Estadual para Políticas de Pessoas Desaparecidas, Antônio Maciel Filho, destacou a importância da cooperação entre os órgãos para ampliar a efetividade da mobilização. "Mesmo que não haja um boletim de ocorrência formal de desaparecimento, se a pessoa estiver sem documentos, vamos atender, pois ela pode estar desaparecida da família", explicou ao jornal O Popular.
De acordo com dados do MJSP, mais de 80 mil pessoas desapareceram no Brasil em 2024, uma média de 219 casos por dia. Em Goiás, foram quase 4 mil registros. No entanto, as ações de busca, com apoio da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, já permitiram localizar cerca de 43,5 mil pessoas no país.
A primeira fase da mobilização ocorreu em agosto de 2024, quando foi realizada a coleta de DNA de familiares. No total, 1.645 amostras genéticas foram obtidas de 1.292 desaparecidos por meio da saliva. Em Goiás, 75 famílias participaram do processo, com 107 pessoas, entre pais, irmãos e filhos, fornecendo amostras biológicas em 23 pontos de coleta espalhados pelo estado.
Nesta nova etapa, serão coletadas impressões digitais e material genético de pessoas vivas sem identificação, especialmente em asilos e instituições de acolhimento. Já a fase final, prevista para 2025, terá foco na identificação de corpos sem identidade nos institutos médicos legais. Todo o material biológico coletado será incorporado ao Banco de Perfis Genéticos de Goiás, que integra a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG).
Para fortalecer a busca por desaparecidos, o MJSP também promoveu um curso de capacitação para profissionais da segurança pública. Entre agosto e setembro de 2024, 78 especialistas de todo o Brasil participaram da formação sobre investigação e localização de desaparecidos. Além disso, nesta quarta-feira (26), durante o lançamento oficial da segunda fase da mobilização, o ministério divulgará um vídeo institucional e uma cartilha com orientações para profissionais da saúde e assistência social.
Antônio Maciel Filho ressalta que, apesar dos avanços, o trabalho de monitoramento ainda enfrenta desafios. Muitas famílias encontram seus parentes desaparecidos, mas não atualizam os registros. "Estamos tentando um método para calcular o número real de resoluções. Em 2021, das 3.618 pessoas oficialmente desaparecidas em Goiás, 53 morreram e 1.901 foram localizadas. Mas sabemos que esse número é maior", afirmou.
Reencontro
A história do jovem Eduardo Vinicius dos Santos Barbosa é um exemplo do impacto positivo da mobilização. Em outubro do ano passado, ele foi encontrado em um posto de combustível em Goiânia, desorientado e debilitado, após quase um ano desaparecido.
O psicólogo Márcio Freitas, voluntário na Casa São Francisco de Assis, instituição filantrópica que acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade, foi quem o resgatou. "Ele estava faminto e com ferimentos nos pés. Aceitou ser acolhido de imediato. Ele tem problemas mentais e era usuário de maconha", relatou.
Com a ajuda da Superintendência de Identificação Humana (SIH), foi possível rastrear o histórico de Eduardo. Um Registro de Atendimento Integrado (RAI) foi encontrado em Rondônia, de onde ele havia desaparecido em dezembro de 2023. A primeira ligação para os contatos fornecidos levou diretamente à mãe do jovem, Sherle Alessandra dos Santos Barbosa, que aguardava notícias há meses.
"Eu não dormia direito, chorava, emagreci muito. Só queria saber se ele estava vivo ou morto", contou a mãe, que viajou de Ji-Paraná (RO) até Goiânia para reencontrá-lo. "Foi um milagre encontrá-lo com vida. Ele tem muitas cicatrizes que não tinha antes, mas agora está seguro", contou ao jornal O Popular. Eduardo permaneceu por 45 dias no abrigo antes de voltar para casa.
Pessoas Desaparecidas RAI MJSP SIH Goiás,