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Foto: Junior Guimarães
É difícil para que o Brasil olhe para um quadro goiano. Caiado conseguiu ser notado. Venceu a primeira etapa
Coluna do Pablo Kossa: O maior desafio de Caiado para virar presidente
26/02/2025, às 17:34 · Por Pablo Kossa
Sejamos sinceros: nem Ronaldo Caiado imaginava que estaria com sua candidatura a presidente da República tão avançada perante a opinião pública brasileira nessa altura do campeonato. A um ano e meio da campanha eleitoral, não há pesquisa que não coloque o governador de Goiás no cardápio à disposição do eleitor. Parece pouco, mas não é. Vá por mim, é um baita feito.
Somos um estado periférico. Humberto Gessinger diria
longe demais das capitais. É difícil para que o Brasil olhe para um quadro
goiano. Caiado conseguiu ser notado. Venceu a primeira etapa. Agora precisa ir
além. E esse passo adiante é fazer com que seu partido caia dentro de verdade
no seu projeto. Outro desafio colossal.
O União Brasil (UB) está rachado. Tem ala que é Centrão
roots, daquele tipo hay gobierno, tâmo dentro. Há os bolsonaristas
fora do PL e também fora do intelectualmente razoável. E existem aqueles de
direita históricos oriundos do antigo PFL, grupo do qual Caiado faz parte. Os
primeiros tentarão deixar o partido junto de Lula até sugar a última gota da
teta gorda do Planalto. Os segundos vão dizer amém para qualquer estupidez
arrotada por Bolsonaro. Os terceiros estão na luta para viabilizar um nome
próprio que hoje é Caiado o quadro melhor posicionado.
A queda da popularidade de Lula ajuda Caiado a convencer
governistas do UB de que sua postulação oferece mais expectativa de poder que a
petista. O peso da denúncia da PGR contra o golpismo de Bolsonaro faz com que
os apoiadores do inelegível tenham preocupações outras. O caminho está aberto
para Caiado. Mas só isso não basta, ele precisa ser trilhado.
Se os ministros do UB entregassem seus cargos antes do dia 4
de abril, quando Caiado lançará sua pré-candidatura ao Planalto em Salvador,
seria perfeito para o governador. Mas esse cenário tem algo perto de zero de
acontecer – e é assim que funciona a política.
Não é perfil do Centrão abandonar benesses enquanto há algo
a ser explorado. E o governo Lula ainda oferta isso. As coisas devem ficar mais
claras somente no final deste ano ou início de 2026. Até lá, Caiado tenta comer
pelas beiradas, construindo a saída cabal dos quadros do UB da zona de
influência de Lula.
Caiado já andou muito. E citando novamente o gaúcho dos
Engenheiros do Hawaii, não veio até aqui pra desistir agora. Mas ainda faltam
milhas e milhas para ter seu nome estampado na urna eletrônica em outubro de
2026. Caiado está na pista.
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