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Goiânia, 04/04/25
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Foto: Junior Guimarães

É difícil para que o Brasil olhe para um quadro goiano. Caiado conseguiu ser notado. Venceu a primeira etapa

Coluna do Pablo Kossa: O maior desafio de Caiado para virar presidente

26/02/2025, às 17:34 · Por Pablo Kossa

Sejamos sinceros: nem Ronaldo Caiado imaginava que estaria com sua candidatura a presidente da República tão avançada perante a opinião pública brasileira nessa altura do campeonato. A um ano e meio da campanha eleitoral, não há pesquisa que não coloque o governador de Goiás no cardápio à disposição do eleitor. Parece pouco, mas não é. Vá por mim, é um baita feito.

 Somos um estado periférico. Humberto Gessinger diria longe demais das capitais. É difícil para que o Brasil olhe para um quadro goiano. Caiado conseguiu ser notado. Venceu a primeira etapa. Agora precisa ir além. E esse passo adiante é fazer com que seu partido caia dentro de verdade no seu projeto. Outro desafio colossal.

O União Brasil (UB) está rachado. Tem ala que é Centrão roots, daquele tipo hay gobierno, tâmo dentro. Há os bolsonaristas fora do PL e também fora do intelectualmente razoável. E existem aqueles de direita históricos oriundos do antigo PFL, grupo do qual Caiado faz parte. Os primeiros tentarão deixar o partido junto de Lula até sugar a última gota da teta gorda do Planalto. Os segundos vão dizer amém para qualquer estupidez arrotada por Bolsonaro. Os terceiros estão na luta para viabilizar um nome próprio que hoje é Caiado o quadro melhor posicionado.

A queda da popularidade de Lula ajuda Caiado a convencer governistas do UB de que sua postulação oferece mais expectativa de poder que a petista. O peso da denúncia da PGR contra o golpismo de Bolsonaro faz com que os apoiadores do inelegível tenham preocupações outras. O caminho está aberto para Caiado. Mas só isso não basta, ele precisa ser trilhado.

Se os ministros do UB entregassem seus cargos antes do dia 4 de abril, quando Caiado lançará sua pré-candidatura ao Planalto em Salvador, seria perfeito para o governador. Mas esse cenário tem algo perto de zero de acontecer – e é assim que funciona a política.

Não é perfil do Centrão abandonar benesses enquanto há algo a ser explorado. E o governo Lula ainda oferta isso. As coisas devem ficar mais claras somente no final deste ano ou início de 2026. Até lá, Caiado tenta comer pelas beiradas, construindo a saída cabal dos quadros do UB da zona de influência de Lula.

Caiado já andou muito. E citando novamente o gaúcho dos Engenheiros do Hawaii, não veio até aqui pra desistir agora. Mas ainda faltam milhas e milhas para ter seu nome estampado na urna eletrônica em outubro de 2026. Caiado está na pista.


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